Rodolfo Frutuoso: «Chegada à 2ª Liga é o culminar de um trabalho muito grande»

Recorda trajeto desde as divisões distritais até ao escalão profissional

• Foto: Vilafranquense

RECORD - Subir três divisões em seis anos um feito, ainda para mais chegar onde o Vilafranquense nunca tinha chegado, a um campeonato profissional. Qual das subidas foi a mais saborosa? A última é histórica ainda que já não sendo na condição de presidente.

RODOLFO FRUTUOSO - A primeira era algo que acreditávamos sempre. O regresso aos nacionais, a envolvência que teve, o avião... Essa história é muito gira. Quer esse jogo com o Santa Iria que carimba o regresso aos nacionais quer a subida à 2ª Liga são muito fortes. Não consigo escolher uma. Foram as duas com muita emoção. No ano da subida ao Campeonato de Portugal, éramos ainda só Eurofoot e em três anos chegámos aquela divisão. A chegada à 2ª Liga é o culminar de um trabalho muito grande que já vinha de trás. Apareceu o Luiz Andrade na dificuldade que nós tivemos. Quando não subimos frente ao Farense, tanto o Paulo Lima como o Pedro Maia desinvestiram. Portanto, tínhamos de arranjar uma solução. O Luiz Andrade foi aquele que teve a coragem e avançou. Diga-se bem ou mal, ele teve a coragem que ninguém teve, arriscando. Acabou por subir. É lógico que havia muita coisa em jogo frente ao U. Leiria. Estava tudo em jogo. Se não subíssemos, tinha a consciência de que o Vilafranquense não se conseguiria inscrever na temporada seguinte ou iria haver uma debandada. Já havia muitos problemas acumulados e havia um misto de emoções muito forte. As duas subidas são muito saborosas. O facto de os juniores subirem à segunda divisão e depois à primeira foi algo que marcou bastante. Subir quatro vezes em seis anos é algo que acho que não existe em Portugal. Estamos a falar num total, em seis épocas, de 10 subidas ao todo.

R - E quanto ao avião?

RF - Na altura tínhamos cá o Raúl Monteiro, diretor de relações institucionais, que tinha recrutado ao Santa Clara, tínhamos também o Pedro Castelo na comunicação e ainda o Jean Paul, a diretor-técnico. Isto tudo no distrital! As coisas não aconteceram por acaso. Falei com o Raúl para inventar alguma coisa para o dia do jogo com o Santa Iria. Temos de fazer uma coisa maluca. Pedi-lhe para ligar para Tires a pedir para perguntar quanto é que custa uma avioneta a dizer ‘U.D.V. Campeão’ que passasse por cima do Campo do Cevadeiro. Foram 350 euros e disse-lhe para avançar, projetando aquilo para a hora do jogo. Não havia prolongamento, quem ganhasse subia. Com o empate iríamos para a última jornada à frente. Fazemos o 1-0 depois o 2-0. Nós tínhamos combinado que o avião saía meia hora antes de acabar o jogo. Demora cerca de 30 a 35 minutos a chegar. O Raúl liga-me para o camarote a dizer que o avião tinha de arrancar. Estávamos nos 60 minutos mas aquilo não estava resolvido, o Santa Iria tinha mandado uma bola ao poste e começou a crescer no jogo. ‘Diz-lhes para arrancarem. Se houve alguma coisa, a gente avisa para voltarem para trás’, disse eu. O avião lá veio, estava combinado passar por cima de nós mas ainda teve mais uma particularidade. Lá de cima ligam para terra depois de passarem por cima do Cevadeiro, perguntando se podiam ir embora. ‘Sim, diz que podem ir mas faz-me o favor de dizer para o avião passar duas vezes por cima de Alverca e duas por cima de Santa Iria’ (risos). Lá foi o avião e cumpriu. Foi embora.  

R - Há um jogador que o acompanhou sempre no trajeto que fez até aqui chamado Hamadou Anta, entretanto retirado. Porquê?

RF - Já me acompanha há 11 anos. No meu início no agenciamento de jogadores estava no Casa Pia, tinha feito uma grande temporada, havia imensos clubes que o queriam. Tinha mais algum tempo de duração de contrato com o Casa Pia. Consegui libertá-lo e ele foi para o Torreense. A partir desse momento, nasceu uma relação de amizade muito forte, até de cariz familiar. A mim diz-me muito, é um grande amigo para a vida. Caminhamos juntos há 11 anos. Surge depois o Vilafranquense na divisão de honra dos distritais e consegui convencê-lo a que ele nos viesse ajudar a alcançar os nossos objetivos. Ele cá estava. Fez toda durante estes anos, seja dentro do campo ou fora dele, pelo caráter, compromisso, liderança e honestidade. Tem características fantásticas. Para o Vilafranquense é um símbolo. Os miúdos da formação adoram-no. As pessoas na cidade também o adoram. É respeitado por todos. A alcunha de ‘Xerife’ é sinónimo do respeito dos colegas. É um dos símbolos do clube na atualidade e no passado recente. É alguém que estará eternamente ligado ao Vilafranquense e acredito que daqui a 30 ou 40 anos as pessoas irão lembrar-se do Anta. Ele parou de jogar, teve a homenagem merecida e neste momento faz parte da nossa estrutura. Vai continuar connosco no futuro na estrutura da equipa, muito próximo da equipa principal, dando o suporte também ao futebol de formação. Como já se disse, o Anta vai estar no Vilafranquense até lhe apetecer. As pessoas pensam o mesmo. É um ser humano fantástico.

Por Flávio Miguel Silva
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

ver exemplo

Ultimas de Entrevistas

Notícias

Notícias Mais Vistas

Copyright © 2019. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.

0