Rodolfo Frutuoso: «É muito difícil ter lucro em campeonatos secundários»

Diretor-geral da SAD do Vilafranquense explica experiência ao longo dos anos

• Foto: Pedro Ferreira

RECORD - Em junho de 2013 embarcou num projeto que já chegou a dizer ter mudado a sua vida. O que é que o levou a assumir o Vilafranquense?

RODOLFO FRUTUOSO - Eu já conhecia o Pedro Torrão. Em 2010, começámos a conversar. Ele tinha uma lesão na anca e o mais certo é não continuar no Chipre. A vida dele era o futebol e nada mais. Tentei arranjar um clube para ele na 2ª Liga mas as coisas não resultaram. Ele veio na mesma e foi para o Torreense. Eu estava muito próximo do clube, jogava lá o Marçal, o Brito e tínhamos feito uma grande equipa no Torreense. Criei uma relação mais próxima com o Torrão. Ressente-se da lesão e termina a carreira em inícios de 2011. Desafiei-o para se juntar a nós, identificava-me com as ideias dele e ele também se identificava comigo. Começou a trabalhar connosco, foi aí que começámos a 'bombar' e descobrimos o Nélson Semedo no Sintrense, o Fábio Martins no FC Porto B, entre outros. O Marçal hoje está no Lyon e descobrimos vários jogadores em divisões inferiores. Fomos crescendo. Em 2012 e 2013, começámos a olhar para a possibilidade de pegar num clube porque tivemos a informação de que a FIFA quereria alterar aquilo que era o interessante do negócio do agenciamento: as percentagens dos passes dos jogadores. Aquilo acabou em 2016. Sabíamos que as coisas iam mudar, havia a pressão para isso. Tivemos para pegar no Fátima, na 2ª Divisão B, o que acarretava um investimento maior, a Eurofoot não iria ter a maioria da SAD. Um dia, o Rui Oliveira que era muito amigo do Torrão desde muito novo fala com ele - passei a conhecer o Rui também. A relação passou a ser mais próxima. O Rui começa a perguntar: ‘Por que é que vocês não pegam no Vilafranquense?’. Eu respondo-lhe a dizer que ele estava maluco. A conversa chegou à autarquia. Depois apresentam-nos o Luís Diniz. Começámos a olhar para aquilo com olhos de ver. O investimento seria menor, um projeto muito aliciante. Fomos perceber o que é que a autarquia poderia apoiar e ainda a presidente era Maria da Luz Rosinha. Nessa reunião estava ela, o presidente Alberto Mesquita e o senhor vereador António Oliveira. Diziam que apoiavam. A relva era erva, não havia portão de entrada, as condições eram zero. A autarquia dizia sempre que o clube não podia receber apoios por ter muitas dívidas. Explicámos que queríamos começar sim como SAD. Pedimos uma intervenção porque o espaço é da Câmara Municipal. Queríamos que ajudassem a melhorá-lo. Dinheiro já sabíamos que não podiam dar. Queríamos ajuda relativamente às infraestruturas. Prometeram ajuda e eu sugeri restaurar a casa que lá estava para fazer escritórios de apoio. A presidente disse que restaurar a casa era uma fortuna. Em alternativa, explicaram que o que podiam fazer era demolir aquilo tudo e criar um espaço aberto. Nós começámos a olhar para soluções e nas nossas viagens já tínhamos estes pré-fabricados a servirem de opções de apoio à parte administrativa e ao treino. Foi aí que nasceu a ideia de fazer o projeto dos contentores. Era uma coisa amovível, mais barata e rápida de resolver.

R - E objetivos?

RF - O projeto era subir rápido e chegar aos campeonatos nacionais. Lembro-me perfeitamente da assembleia-geral em que tivemos de ir convencer os sócios para que fosse aprovada a SAD. Toda a gente votou ‘sim’ e houve uma abstenção. Lembro-me que tive de explicar às pessoas a ideia. A desconfiança era natural. Eram dois miúdos, com o Torrão a ter moral na terra mas havia desconfiança do que é que íamos para ali fazer. A ideia era esta: chegar rapidamente aos nacionais e tirar partido dos jogadores, como era óbvio.

R - Ganhando dinheiro.

RF - Claro que sim. Não é como as pessoas pensam e agora a experiência mostra-nos isso. Só consegues começar a ganhar dinheiro muito mais à frente.

R - É possível ter lucro com uma equipa semi-profissional, seja no Campeonato de Portugal ou daí para baixo?

RF - Não. Quem disser assim, não sabe o que está a dizer mas depende do que são os projetos, para onde se quer ir e qual é a ambição. Nós chegámos ao Vilafranquense com o propósito de subir, subir e subir, seja na formação ou na equipa principal. Se fores a um clube na zona mas olhando para aqueles mais modestos... se calhar esses clubes dão lucro mas são aquilo. Fomos os únicos que vendemos jogadores no Campeonato de Portugal e no distrital. Falo em vender e não falo daquele tipo de jogador que sobressai, acaba contrato e vai parar a grandes clubes. Vendemos jogadores ao V. Guimarães, ao Benfica ou ao Chaves, vendemos mesmo. Não é fácil. É muito difícil ter lucro nesses campeonatos. O nosso propósito foi que os juniores chegassem aos nacionais em cinco anos e chegaram, que os seniores chegassem aos nacionais em cinco anos. Acabámos por chegar em três e redefinimos objetivos. Passou a ser subir à 2ª Liga no quinto ano à frente da SAD. Morremos nas meias-finais, infelizmente.

Por Flávio Miguel Silva
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