Trekking com vista

Por falésias e vales, junto ao mar e à montanha, mas também por ruas e centros históricos das cidades. São dezoito trekkings para fazer de norte a sul do país.

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O trekking, ou caminhada por trilhos predefinidos (regra geral em paisagem natural), tem cada vez mais adeptos. Percorremos alguns dos melhores trilhos do País e escolhemos 18, alguns deles em contexto urbano.

Junto ao mar

Trocando os chinelos pelas botas e o chapéu-de-sol pelos bastões de caminhada pode descobrir todo um novo mundo logo ali, junto ao mar. Cruzando as zonas balneares portuguesas de norte a sul encontra uma série de trekkings dignos de ombrear com a milenar arte de não fazer nada debaixo da torreira do sol.

Partindo de Esposende, por exemplo, a Dunnar (1) propõe um passeio ao longo da costa que passa pelo Forte de São João e por vários outros pontos dignos de um bom mergulho. Mais a baixo, na Póvoa de Varzim, pode fazer um percurso inteiro de olhos postos no mar (2) – sem guia, vai passar pelo quarteirão dos pescadores, pela doca e pela marina desta cidade.

Já mais perto de Lisboa, na Ericeira, encontra um trekking (3) que atravessa as praias de São Lourenço e a da Calada fazendo uma paragem no Vale e na Ribeira do Safarujo. Uns quilómetros ao lado, em Sintra, há uma ótima desculpa para gastar três horas do seu tempo: um percurso circular (4) que passa em locais como a lindíssima Praia da Ursa ou a da Adraga.

Depois de uma paragem para se reabastecer de água, siga em direção a Sesimbra, onde irá encontrar um caminho desafiante. Comece em Azóia, passe pela Lapa do Piolho, Lapa da Furada e pela Gruta dos Pinheirais (onde pode observar escavações arqueológicas) (5). Quando chegar à Praia do Ribeiro do Cavalo respire fundo, descanse e dê uns mergulhos.

Caso os níveis de emoção ainda não tenham atingido o limite, não se preocupe, na Serra da Arrábida encontra os percursos da 7 Cumes (6). Fuja à monotonia das manhãs quentes de Verão, conheça melhor a beleza da serra e do rio Sado. Os guias que aqui o acompanham nunca fazem o mesmo caminho duas vezes, mas praias secretas e grutas por explorar fazem sempre parte dos planos.

Ainda não chegou a altura para descansar. Já no sul do país, "aqui, no lugar de Porto Covo", pode fazer o Trilho dos Pescadores (7). Praias rochosas (como a de Aivados) ou cheias de dunas (como a do Faquir ou a do Farol) fazem parte do caminho que pode descobrir por si só (não há guias) – basta fazer o download do percurso no site www.rotavicentina.com.

Na montanha

Praia ou campo? A eterna pergunta que serve para distinguir o adepto da areia entre os dedos dos pés do sujeito a quem as alergias a flores ou árvores não metem medo nenhum. Durante muito tempo, quando o tema de conversa era férias, as opiniões divergiam entre estes dois destinos, mas hoje já pode trocar as voltas a quem vê as coisas a preto ou a branco.

A montanha é a formação geológica fetiche dos adeptos de emoções fortes. Nos declives portugueses encontra vários roteiros por percorrer — que lhe garantem o batimento acelerado, mas seguro, do coração.

O norte do país, como seria de esperar, é a zona mais prolífica no que à oferta deste tipo de trekkings diz respeito. Na Serra da Estrela pode fazer o percurso De Manteigas a Manteigas, uma aventura de grau de dificuldade médio mas de longa duração. À sua espera estão dois dias de uma caminhada de 32km pelo ponto mais alto de Portugal continental (1.993 metros). No percurso irá passar, por exemplo, pelo Vale do Zêzere e pelo Poço do Inferno – a pernoita será feita num acampamento organizado pela Trans Serrano (8).

Ainda nesta zona do país, na Serra do Açor (perto de Benfeita), há outro trekking que vale a pena experimentar. A empresa Go Outdoor (9) sugere um caminho onde pontes antigas, levadas e cascatas são elementos que fazem parte do percurso rumo à aldeia do Sardal. A Fraga da Pena, a área protegida da Serra do Açor, a Ribeira da Mata e o Núcleo Museológico de Pardieiros são outros locais por onde vai poder gastar a sola das botas.

Uma necrópole pré-histórica pode não ser a primeira coisa que lhe vem à cabeça quando se fala em passeios pela montanha, mas se escolher o Trilho Megalítico de Britelo (10) no Parque Natural Peneda-Gerês, não há como a evitar. Aqui vai ter encontros imediatos de terceiro grau com pinturas rupestres, ruínas de moinhos, antas e mamoas (monumentos fúnebres), por exemplo.

Tondela não tem de se orgulhar apenas da subida à primeira divisão do seu clube (o Clube Desportivo de Tondela): a Rota dos Caleiros (11) é um percurso circular por essa região que começa (e acaba) no Caramulinho, tendo o ponto mais alto da serra do Caramulo como um dos pontos-chave do passeio. Há sinalização própria fornecida pela Câmara Municipal bem como um mapa disponível online.

Mais a sul também há trekkings de montanha por fazer. Começando nas renovadas termas das Caldas de Monchique e seguindo rumo ao topo da serra da Picota (774 metros), o trilho De Caldas a Monchique (12) até lhe dá oportunidade de ver a maior magnólia da Europa.

Com o Algarve ainda como pano de fundo, em Tavira situa-se o percurso Montes Serranos (13), uma ótima oportunidade para conhecer a serra do Caldeirão e as suas típicas aldeias serranas. Está a trabalhar em Lisboa durante as férias? Não tem mal. A 45 minutos da capital tem a Rota dos Encantos (14), em Torres Vedras. Passeie pela serra do Socorro, o Forte do Catefica e o caminho militar que desce até à Mugideira.

Na cidade

Carros para cima e para baixo, ruas íngremes, filas no metro, filas no trânsito, o caos da hora de ponta – há momentos no dia-a-dia da cidade que mais parecem provas de destreza, resistência e agilidade. Por entre estas correrias, que são já uma dose considerável de exercício físico, encontra opções menos stressantes (e bem menos poluídas). Se gosta de aventura urbana, tome nota destas nossas sugestões.

Em Lisboa, a rota do 28 é um trekking urbano da Aventura X (15) e propõe-lhe um passeio a pé pelo percurso do elétrico mais popular da cidade, do Cemitério dos Prazeres à Praça do Martim Moniz. Já em Sintra, há um belíssimo trekking promovido pela 7 Cumes (16). O caminho de 4 km começa na zona histórica do centro da vila onde, antes de passar por locais históricos como o Lawrence’s Hotel, pode ganhar energias com um pequeno-almoço composto pelas típicas queijadas, chá e café. Segue-se uma subida rumo ao ponto mais elevado da serra, a Cruz Alta, tendo o Castelo dos Mouros a meio caminho. Para acabar em beleza (literalmente), fique a conhecer os jardins do Palácio da Pena.

Mais a norte, no Porto, a proposta é ligeiramente diferente – um trekking cultural. A Borealis (17) organiza o City Breaks Challenge Porto, um percurso que começa na zona da Ribeira, passa pelo Mercado do Bolhão, a Igreja do Carmo e a Sé. No final, fique a perceber porque é que as obras do arquiteto italiano Nicolau Nasoni foram essenciais para justificar a predominância do estilo barroco nos edifícios e monumentos da cidade.

A mesma empresa é responsável também pelo City Breaks Challenge de Braga (18). As características barrocas presentes nos monumentos-chave da cidade como a Sé (ponto de partida e chegada), a Torre de Menagem, a Praça da República ou o Jardim de S. Bárbara, bem como a influência romana na arquitetura do espaço e dos edifícios da Capital do Minho são os pontos principais desta aventura urbana.

MAR

(1) Rota das Praias (Esposende)

Dunar || Tv. Sr.ª das Neves, 9, Marinhas || Por marcação – 968 680 025 || €18/2 a 4 pessoas; €15/5 a 10 pessoas; €12/+ 11 pessoas || 10 km-Médio-3h

(2) À Borda d’Água (Póvoa de Varzim)

Posto de Turismo, Pç. Marquês de Pombal, Póvoa de Varzim || 252 298 120 || Horário livre || Gratuito || 4,7 km-Fácil-2h

(3) Praia de São Lourenço à Praia da Calada (Ericeira)

www.greentrekker.pt || Por marcação – 967 357 858 || €10 || 11 km-Médio-4h30

(4) Praia da Adraga (Cabo da Roca)

GEM || R. Maria Veleda, 6, 7.º Esq.º, Alfornelos || Por marcação – geral@gem.pt || €5 || 8,78 km-Fácil-3h

(5) Praia do Ribeiro do Cavalo (Sesimbra)
Green Trekker || www.greentrekker.pt || Por marcação (mínimo 15 pessoas) – 967 357 858 || €15 || 13 km-Difícil-4h a 5h

(6) 3 Praias 3 Grutas (Arrábida)

7 Cumes || www.7cumes.pt e www.facebook.com/7cumes
|| Por marcação – 962 744 072 || €55 (8 pessoas/4 horas) ou €85
(8 pessoas/9 horas) || 16 km-Médio-4h ou 9h

(7) Trilho dos Pescadores (Porto Covo/Vila Nova de Milfontes)

Rota Vicentina || Tv. do Botequim, 6, Odemira || 283 327 669 || (Horário livre) || Grátis || 20 km-Difícil-7h

MONTANHA

(8) Manteigas (Serra da Estrela)

Transerrano || Bairro S. Paulo, 2, Góis || Por marcação – 235 778 938 || €35 || 32 km-Médio-2 dias

(9) Go Outoor (Benfeita)

Mini Habitat de Penela || 239 561 392 || €20 || 10,5 km-Médio-1 dia

(10) Trilho Megalitismo de Britelo

(Parque Natural da Peneda-Gerês) Grátis || 11 km-Médio-3h

(11) Rota dos Caleiros (Tondela)

Posto Turismo Caramulo || 232 861 437 || Grátis || 8,2 km-Médio-4h

(12) Serra de Monchique

R. Caldas de Monchique || Horário livre || Grátis || 20 km-Difícil-5h

(13) Montes Serranos - Tavira

www.lands.pt || 289 817 466 || €220 (4 pessoas) || 7 km-Fácil-3h

(14) Rota dos Encantos (Turcifal)

Posto Turismo Torres Vedras || 261 310 483 || Horário Livre || Grátis 22 km-Médio-5h

CIDADE

(15) A Rota do 28 (Lisboa)

Aventura X || www.aventurax.pt || falarcom@aventurax.com || 919 191 219 || €12,50 || 11 km-Fácil-5h

(16) Da Vila aos Jardins do Palácio (Sintra)

7 Cumes || www.7cumes.pt || 962 744 072 || €7 (4h) e €11 (9h) || 4 km-Médio-4h a 9h

(17) City Breaks Challenge (Porto)

Borealis || R. do Mormeiral, Rebordões Santa Maria, Ponte de Lima || 910 910 930 || €16 || 5 km-Fácil-4h

(18) City Breaks Challenge (Braga)

Borealis || R. do Mormeiral, Rebordões Santa Maria, Ponte de Lima || 910 910 930 || €16 || 4 km-Fácil-3h

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