A festa acabou mal

A festa acabou mal
• Foto: DR RECORD

Faltavam duas jornadas para o fim do campeonato de 1985/86 e o Benfica liderava com dois pontos de vantagem sobre o FC Porto. Os encarnados recebiam o Sporting e deslocavam-se ao Bessa; os azuis e brancos iam a Setúbal e recebiam o Sp. Covilhã.

A 13 de abril de 1986, a Luz acolheu o dérbi pronta a explodir na festa imensa, na esperança que uma conjugação de resultados favorável (vitória no dérbi e derrota ou empate do dragão na visita ao Sado) permitisse recuperar desde logo o título nacional.

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Um mês antes, a 12 de março, as duas equipas encontraram-se para a Taça de Portugal e o resultado não ofereceu dúvidas: 5-0 para o Benfica, com golos de Wando (2), Rui Águas, Álvaro e Manniche (de penálti). O dérbi final da época revestia-se de importância maior para as águias mas representava para os leões uma oportunidade de mostrar o orgulho de uma equipa posta em causa pela goleada sofrida.

Jordão suplente

A esse enquadramento global juntavam-se dois fatores de interesse suplementar: Carlos Valente fazia o penúltimo jogo da época em Portugal (apitaria depois a final da Taça de Portugal) antes da presença no Mundial de 1986, no México; depois de Jordão fazer dois golos ao Sp. Covilhã na jornada anterior, José Torres deixara em aberto a possibilidade de convocar o avançado leonino, mas só se fosse titular na Luz. Valente apitou bem e venceu o Apito de Ouro, depois da nota máxima recebida por Record; Manuel José, então treinador do Sporting, levou o braço-de-ferro até ao fim e deixou Jordão no banco até final da partida.

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Lesão de Samuel

O jogo foi surpreendente, por ter contrariado a tendência desenhada nas semanas anteriores – Benfica a crescer, Sporting a revelar debilidades. Aos 11 minutos, o central Morato inaugurou o marcador e aos 22’ foi a vez de Manuel Fernandes elevar para 2-0, quando os encarnados estavam reduzidos a dez unidades. Num lance anterior, Samuel fez rotura muscular em plena corrida ao lado de Meade; o central benfiquista saiu de campo, o Sporting elevou a contagem e só 4 minutos depois a substituição foi consumada com a entrada de Nunes em campo.

Manniche não chegou

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A perder, o Benfica tudo fez para dar a volta ao marcador. Avançou no terreno, correu todos os riscos e tentou, no mínimo, evitar a derrota. Quando o dinamarquês Manniche reduziu para 1-2 ainda faltava meia hora para o fim do jogo. Não foi suficiente. Para os encarnados, pior ainda do que terem perdido o jogo, foi a vitória portista no Bonfim, por 1-0, com golo excecional de Paulo Futre. Em igualdade pontual, a vantagem pertencia ao FC Porto, que vencera nas Antas (2-0) e empatara na Luz (0-0). Na última jornada, porém, os azuis e brancos acentuaram as diferenças: bateram o Sp. Covilhã (5-2) e fizeram a festa, ao mesmo tempo que os encarnados perdiam (0-1) na visita ao Bessa.

OUTROS ANOS

1947/48 - Peyroteo demolidor
Benfica-Sporting, 1-4

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Depois de ter ganho no reduto leonino na primeira volta (3-1), o Benfica recebeu o Sporting a 25 de abril de 1948, no Campo Grande. Nas vésperas do embate, dirigentes leoninos tornam pública a suspeita de que o treinador, Cândido de Oliveira, simpatizante benfiquista, estaria a trabalhar no sentido de favorecer os encarnados. O Sporting goleou o rival por 4-1 – golos de Peyroteo (35’, 41’, 58’ e 69’) e Espírito Santo (75’) –, tendo mestre Cândido pedido a demissão a seguir. As quatro jornadas que faltavam foram marcadas pela emoção, que atingiu o ponto alto na penúltima ronda: em igualdade pontual, o Sporting perdeu em Setúbal por 1-0; no Lumiar, o Benfica defrontava o Elvas, comandado por Severiano Correia, também ele simpatizante das águias. Os alentejanos venceram por 2-1, com dois golos de Patalino, também benfiquista.

1965/66 - Poker de Lourenço
Benfica-Sporting, 2-4

A 17 de outubro de 1965, o dérbi teve uma tarde referenciada a partir de um grande feito pessoal: o sportinguista Lourenço apontou os quatro golos da vitória na Luz (16’, 40’, 68’ e 77’) por expressivos 4-2 – Eusébio (18’) e Torres (88’) marcaram para os encarnados. O encontro integrava a 6.ª jornada, mas assumiu importância transcendente para a decisão final, uma vez que o Sporting seria campeão com apenas 1 ponto de vantagem sobre o Benfica.

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2001/02 - O "dérbi Guaraná"
Benfica-Sporting, 2-2

O último jogo entre os rivais na velha Luz, que começaria a ser demolida no dia seguinte, ficou para a história como o “dérbi Guaraná”. O Benfica vencia por 2-0 à entrada para os últimos cinco minutos do jogo – Simão (11’, g.p) e Zahovic (55’) – mas Mário Jardel encarregou-se de empatar (85’, g.p. e 87’). Por cada golo apontado levantou a camisola para mostrar a t-shirt que deu nome ao jogo: “Será do Guaraná?” A 15 de dezembro de 2001, na 15.ª jornada, Bölöni dava um grande passo para o título.

2006/07 - Sprint pela Champions
Benfica-Sporting, 1-1

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Com o FC Porto bem instalado na frente da Liga, o dérbi assumia importância decisiva para o segundo lugar, que dava acesso à Liga dos Campeões – o empate (1-1) foi construído com golos de Liedson (2’) e Miccoli (24’). A 29 de abril de 2007, num jogo a contar para a 27.ª jornada, o Benfica não conseguiu uma vitória que, feitas as contas no final, dar-lhe-ia o 2.º lugar – os leões, comandados por Paulo Bento, chegaram ao fim da Liga com 1 ponto de vantagem sobre as águias de Fernando Santos.

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