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António Sala chegou a acordar cansado com as diabruras do éter...
R – Li numa entrevista dada na véspera do seu adeus à rádio, aqui há cerca de dois anos, que a despedida seria emotiva e intensa. Arrepende-se?
AS – De maneira alguma. Acho que o fiz na hora exata. Mas digo-lhe uma coisa: todas as semanas sonho que estou ainda a fazer rádio. Sinceramente. E acontecem sempre problemas. Ora a música não entra, ora há problemas. Enfim, chego a acordar cansado, até.
R – Estamos a ter esta conversa na Renascença, que é também a sua casa, mas podíamos estar num palco, num estúdio de televisão ou gravação. A rádio é a sua “cara”?
AS – O meu filho ofereceu-me há uns anos um quadro cheio de microfones. Dizia ele que, se fosse preciso um objeto para me retratar, sem nada escrito, seria um microfone.E eu também acho. Incorpora tudo. Está no palco, na rua, no estúdio... Eu nunca deixei de falar para os microfones. Por ordem de preferência: rádio, televisão, espetáculo, algo de que também gosto muito, estar em palco...
R – Sim, tem vários temas seus em que canta e toca.
AS – Cantar... bem, sabe, eu gosto mesmo é de tocar piano e faço-o todos os dias. Sempre me safei compondo umas coisas para a minha limitada voz. Nunca me considerei um cantor, sou mais um “cantador” das minhas coisinhas. E também sempre compus para outras pessoas.
R – Dedica-se mais à música agora, que tem tempo?
AS – Vou compondo umas coisas instrumentais que estão na gaveta. A ver vamos o que lhes acontece.
R – Enquanto pesquisava sobre si, soube que o êxito “Vais partir”, do Clemente, é da sua autoria. Pouca gente sabe isso.
AS – (Risos) Sim, sim. Engraçado, mas grande parte das suas canções são da minha autoria. Os temas que eu mais gostava assinava António Sala, as que achava assim-assim, rubricava Mira Gomes, que também é o meu nome, e as que eram mais por encomenda e não gostava tanto assinava Manuel Bernardo.Há uma com este último que ainda hoje me dá direitos de autor, a “24 rosas”, do José Malhoa.
R – E a “Vais partir” teve a assinatura de quem?
AS – Essa é António Sala (mais risos). Gostei de a fazer.
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