_

César Brito deu título de 1991

César Brito deu título de 1991

Não foram muitos os heróis improváveis a resolver jogos entre o Benfica e o FC Porto. Antes pelo contrário. Foram mesmo muito poucos, e César Brito, juntamente com Kelvin, protagonizou um dos embates mais marcantes, tornando-se um desses jogadores que, inesperadamente, ganham um lugar na história.

Num campeonato com vinte equipas e com a vitória a valer apenas dois pontos, o Benfica deslocava-se às Antas com um escasso ponto de vantagem a cinco jornadas do final do campeonato de 1990/91. O ambiente, esse, era escaldante, visto que duas semanas antes as duas equipas se tinham encontrado em partida da Taça de Portugal, também no Porto, com os azuis e brancos a vencerem.

PUB

Apesar disso, o ambiente interno entre a estrutura do FC Porto não era o melhor. Por um lado, falava-se na recandidatura de Pinto da Costa e, por outro, Madjer assumia publicamente grandes divergências com o treinador, Artur Jorge. Na Luz, a liderança transmitia confiança, mas Paulo Sousa e André trocavam piropos na comunicação social, devido à lesão do benfiquista na partida da Taça de Portugal.

Polémicas à parte, o jogo tinha de realizar-se, não sem outra polémica recorrente: a da nomeação do árbitro. O escolhido foi Carlos Valente, de Setúbal, o melhor juiz da altura, que se mostrou à vontade nas vésperas da partida. Artur Jorge não escondeu, contudo, o seu desagrado.

O herói

PUB

O jogo começou e decorreu sob o signo do equilíbrio. O empate mantinha o FC Porto a um ponto da liderança, mas o Benfica tinha assumido que ia às Antas para vencer. Conseguiu-o quando Eriksson chamou César Brito a dez minutos do fim. O dianteiro – quem diria na altura – fez estragos irreparáveis na defesa portista. Primeiro, antecipou-se a Fernando Couto para inaugurar o marcador na primeira vez que tocou na bola. Depois, escapou pela esquerda para... decidir praticamente o título em partida que não podia ter sido mais polémica.

Um corredor como balneário

Os jogadores do Benfica tiveram de recorrer ao corredor para se equiparem, tal era o cheiro intenso que exalava da cabine que lhes foi destinada, enquanto Fezas Vital, dirigente encarnado, se queixava de ter sido agredido por Pinto da Costa. Este último também se queixou, mas da “arbitragem habilidosa”, enquanto Artur Jorge, agressivo, afirmava que “às vezes é difícil não perder a cabeça”. Um clássico histórico.

PUB

Trio portista foi expoente

Na história dos clássicos entre Benfica e FC Porto, os portistas Lemos, Deco e Fernando Gomes assumem-se como expoentes máximos. O primeiro por ter apontado quatro golos na vitória, por 4-0, na temporada de 1970/71, o que aconteceu apenas nessa ocasião. Os outros, mais recentes, por terem sido decisivos na mesma época (ver quadro).

Destaque ainda para José Águas que resolveu por quatro vezes, e para Eusébio e Timofte, determinantes em três ocasiões nos jogos entre águias e dragões ao longo da história.

PUB

OUTROS HÉROIS INESPERADOS

Pietra goleador

Em 1976/77, o Benfica – já campeão – recebeu o FC Porto, detentor da Taça de Portugal. Tratava-se de uma Supertaça antecipada, e foi Pietra a grande surpresa do encontro. Acabado de transferir-se do Restelo para a Luz, começou a partida como lateral-direito, mas acabou a atuar no meio-campo, surpreendendo tudo e todos ao bisar na vitória dos encarnados por 3-1. Os outros golos foram marcados por Chalana e Taí, este para os portistas.

PUB

Vinha foi arma de Ivic

O FC Porto recebeu o Benfica na 2.ª mão da Supertaça a 15 de agosto de 1993, nas Antas, e precisava de um triunfo que garantisse o acesso à finalíssima. O recém-contratado Vinha não fez parte das opções iniciais de Ivic, mas a verdade é que os titulares do FC Porto não atinavam com a baliza encarnada até que técnico lançou o ex-salgueirista, aos 54’. O sacrificado foi o então jovem promissor Toni. Vinha foi a arma letal que estava a faltar, marcando aos 84’ e garantindo a finalíssima que o FC Porto acabou por vencer no início da temporada seguinte.

Kelvin inicia desastre

PUB

O Benfica deitou tudo a perder no final de uma época em que podia ter conquistado Campeonato, Taça e Liga Europa. Não venceu qualquer título, e o desastre começou no Dragão, onde um empate já seria bom resultado, pois os encarnados tinham dois pontos de vantagem. Kelvin, contudo, entrou aos 79’ para resolver nos descontos com um remate tão inesperado como espetacular e que levou Jesus a ajoelhar-se.

Deixe o seu comentário
PUB
PUB
PUB
PUB
Ultimas de Especial Notícias
Notícias Mais Vistas
PUB