O céu é azul e o inferno vermelho

O céu é azul e o inferno vermelho
• Foto: PAULO SILVA

Um dia, na casa do FC Porto da Trofa, Pinto da Costa disse: “O céu é azul e o inferno vermelho”. A multidão explodiu em aplausos. Mas, ao contrário do que possa parecer, o presidente do FC Porto, que no próximo dia 23 completa 31 anos desde que tomou posse pela 1.ª vez, não se estava a referir ao Benfica, mas apenas à mudança de cor de vermelho para azul do logotipo de um jornal desportivo a propósito da conquista da Taça UEFA de 2003. Esse jornal era precisamente o Record, de novo confirmado como um dos grandes interesses diários da vida do presidente dos azuis e brancos…

Esta tirada de Pinto da Costa é, porém, o título perfeito para o percurso do presidente que vai para o seu 14.º mandato e que teve sempre nos encarnados da Luz o seu inimigo de estimação. Bem, na verdade nem sempre. Houve momentos em que a empatia do líder e criador dos dragões com presidentes do Benfica foi perfeita. No caso do atual líder do Benfica, apenas quando este foi presidente do Alverca, onde se assumiu desde logo como um parceiro de Pinto da Costa, Dias da Cunha e Pimenta Machado nas lides de uma Liga em afirmação e que o próprio presidente portista chegou a liderar. Antes, na mesma luta, ainda com a Liga na qualidade apenas de organismo autónomo, Pinto da Costa teve em Manuel Damásio um grande aliado. Aliás, Damásio aceitou ser o presidente da Liga de 28 de outubro de 1994 a 13 de julho de 1995, quando passou a pasta a Pinto da Costa. O primeiro campeonato organizado pela Liga, embora ainda como organismo autónomo da FPF, acontece mesmo durante a presidência de PC, na época de 1995/1996. Valentim Loureiro só é eleito presidente da Liga em dezembro de 1996, aí permanecendo até o eclodir do processo Apito Dourado, em abril de 2004.

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Recuando ao início da década de 80, não foi porém nos presidentes do Benfica que Pinto da Costa teve os seus grandes adversários mas sim num líder do Sporting, João Rocha. Este conseguiu antecipar-se a PC ao garantir a contratação de António Oliveira e fez sempre guerra ao novo líder do maior clube do norte, enquanto PC cimentava a sua relação com o então presidente do Benfica, Fernando Martins, que ainda hoje é seu grande amigo. Aliás, os azuis e brancos sempre que se deslocam a Lisboa hospedam-se no hotel de Martins.

Na década de 80, assinale-se, o domínio do FC Porto esteve longe de ser avassalador, apesar das conquistas da Taça dos Campeões Europeus, Supertaça Europeia e Taça Intercontinental, tudo em 1987. O Benfica também esteve em grande sobretudo no campeonato, tendo perdido três finais europeias (Taça UEFA, uma vez, e Taça dos Campeões Europeus, duas). Na 1.ª época em pleno de PC à frente dos dragões, 1982/1983, o Benfica foi campeão com 4 pontos de vantagem sobre o FC Porto e na época seguinte com 3. O primeiro título nacional de PC como presidente surgiria apenas em 1984/1985, feito repetido na época seguinte. Mas em 1986/1987, a tal época admirável dos azuis e brancos, quem foi de novo campeão foi o Benfica. O FC Porto recupera o cetro na temporada seguinte mas em 1988/1989 o Benfica volta a ser campeão e com 7 pontos de vantagem, num campeonato onde a vitória ainda só valia dois. Em 1989/1990, a fechar a década, é o FC Porto que sai na frente. Contas feitas às épocas em pleno de PC como presidente nos anos 80, houve um empate: 4 títulos nacionais para cada equipa e o Sporting, que fora campeão na época (1981/1982) em que PC subiu ao trono, a ver navios.

As primeiras quatro épocas da nova década seriam também a dividir, com o Benfica a decidir nas Antas, em 1993/1994, o campeonato, depois de cenas de pancadaria no túnel e de ter sido obrigado a equipar-se no corredor de um balneário transformado numa espécie de cloaca máxima. Depois, a história é a que se conhece, com o FC Porto a arrancar para um histórico penta que marca, realmente, uma linha de fratura. Até que surge Vale e Azevedo em cena e a crispação sobe de tom entre o líder do Benfica e o do FC Porto. Até que chega Manuel Vilarinho e tudo normaliza.

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O resto da história está ainda fresco nas nossas memórias. Luís Filipe Vieira entrou de mansinho mas depressa subiu o tom. Assim acabou uma amizade sólida. No seu mandato, Luís Filipe Vieira apenas conseguiu conquistar dois campeonatos e até viu o FC Porto a transformar a Luz no seu salão de festas. O “tri” de Vieira contra Pinto da Costa é uma possibilidade muito forte mas é preciso ter cuidado com os apagões.

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