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O globetrotter da praia

O globetrotter da praia
• Foto: VIRGÍLIO RODRIGUES

Na infância sonhava ser jogador de futebol e até chegou a representar as camadas jovens do Estoril. Devido à sua veia artística, João Victor Saraiva adquiriu a alcunha de Madjer, em homenagem ao famoso jogador do FC Porto, o argelino Rabah Madjer.

Depois de um acidente de mota, que o afastou dos relvados algum tempo, participou num torneio amador de futebol de praia e o então treinador da Seleção, João Barnabé, ficou tão impressionado com o seu talento que o convidou para integrar a equipa.

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Foi o início de uma carreira notável, recheada de títulos coletivos e individuais, e que hoje ainda perdura. Sim, porque aos 35 anos Madjer continua a ocupar um patamar de excelência como jogador de futebol de praia, percorrendo o Mundo, qual globetrotter. Recentemente sagrou-se campeão nacional em três países diferentes, ao serviço de Lokomotiv Moscovo (Rússia), Besiktas (Turquia) e Al Ahli (Dubai), mas no seu currículo continua a faltar um título... “Quando somos exigentes temos de tentar sempre conquistar mais alguma coisa ou então repetir os sucessos. Entro em todas as competições para ganhar e espero ainda vencer o Campeonato do Mundo com a chancela da FIFA”, argumenta o jogador à reportagem de Record, não perspetivando o epílogo da carreira.

“Ainda não penso nisso, mas aos 45 anos tenho mesmo de terminar porque é o que está regulamentado [risos]. Até lá espero já estar com outras funções, como treinador ou formador, quem sabe? Por agora sinto-me bem fisicamente. Não sei se é devido ao tipo de superfície, mas os jogadores de futebol de praia têm menos lesões. A longevidade é maior.”

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Ano excecional

Três títulos de campeão marcam 2012. Madjer jogou este ano os campeonatos do Dubai, Rússia e Turquia e venceu todos. O português começou por brilhar no Dubai, competição que ganhou em março com o Al Ahli, onde teve como colega de equipa outro internacional português, Coimbra. “Um dia fomos a um centro comercial de calções e não sabíamos que não era permitido. De repente estavam os seguranças ao pé de nós e ainda perguntei ao Coimbra se ele tinha roubado alguma coisa [risos]. Puseram-nos na rua simpaticamente”, conta Madjer, um dos episódios passados naquele país do Médio Oriente.

Em setembro sagrou-se bicampeão na Rússia, pelo Lokomotiv Moscovo. “Lá não há muita gente a falar inglês. Nem tentam, que é bem pior. O tradutor anda sempre comigo”, refere, destacando: “A Rússia tem o campeonato mais competitivo de todos. Apostaram profissionalmente na modalidade e criaram infraestruturas para conseguirem treinar-se no inverno, que dura quase todo o ano.”

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O título pelos turcos do Besiktas aconteceu em outubro. “Foi o país onde senti mais amor e fui mais idolatrado. Na meias-finais e final do campeonato houve adeptos que fizeram viagens de oito horas e dormiram em tendas, tudo para nos apoiarem e verem jogar. A notoriedade é diferente, e depois de ganharmos o campeonato fomos homenageados no estádio do Besiktas [n.d.r.: Inönü], num jogo frente ao Trabzonspor”, afirma.

Gerir a carreira

Madjer administra a sua carreira e medeia os contactos com os clubes interessados, tudo em articulação com a Beach Soccer Worldwide, empresa FIFA que regula as transferências dos jogadores de futebol de praia por todo o Mundo. “Ao longo destes anos fiquei com conhecimentos, amizades, e as pessoas entram sempre em contacto comigo primeiro para aferirem a minha disponibilidade. Depois falo com a empresa FIFA, que detém os meus direitos desportivos, e eles, em consonância com o Lokomotiv [n.d.r.: clube com o qual tem mais dois anos de contrato], tratam da minha transferência”, refere.

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E o craque explica a vida (e as vantagens) de globetrotter: “O fenómeno dos clubes e das respetivas transferências no futebol de praia surgiu há pouco tempo. Na Europa é uma novidade, mas no Brasil é uma prática comum. E a verdade é que já há contratos com valores semelhantes aos que se praticam no futebol.”

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