Luiz Felipe Scolari foi o treinador que lançou Cristiano Ronaldo na Seleção Nacional e nunca mais esqueceu aquele dia.
“Só mais tarde tomei consciência do significado dessa estreia. Mas não podia ser de outra forma: ele já prometia vir a ser um craque e Portugal não podia desperdiçar um talento da sua qualidade,” conta o brasileiro desde São Paulo.
“Há muito que o considero o melhor jogador do Mundo e sempre que for chamado, vou votar nele. É um gigante para a equipa, apesar de ter a capacidade de resolver qualquer jogo sozinho. Foi um orgulho ter trabalhado com ele,” conclui.
«Perguntem ao Carlos»
Depois de terem convivido vários anos no Manchester United, era previsível que Cristiano Ronaldo e Carlos Queiroz, selecionador que rendeu Scolari após o Euro’2008, tivessem um bom relacionamento.
Afinal, foi precisamente com Queiroz que Ronaldo manteve um conflito aberto, revelado na despedida do Mundial de 2010. Minutos depois de Portugal ter perdido com a Espanha, e questionado sobre o que tinha corrido mal, o capitão da Seleção Nacional respondeu aos jornalistas: “Perguntem ao Carlos”. Nos meses seguintes liderou a contestação interna que levou Gilberto Madaíl a despedir o selecionador.
«Líder de entrega total»
O atual selecionador nacional,Paulo Bento, realça a “evolução que Ronaldo tem tido ao longo destes anos, baseado num profissionalismo muito elevado, num rendimento igualmente elevadíssimo, fruto desse profissionalismo. Tudo isso se reflete no número de internacionalizações, no número de golos marcados e acima de tudo na sua tremenda vontade de a todos os momentos querer representar a Seleção Nacional,” diz o técnico.
Paulo Bento destaca ainda a forma como Ronaldo se entrega. “É o espírito que tem e vai reafirmando a cada jogo, que fazem dele o líder da Seleção Nacional.”
Seis golos marcados no Estádio Alvalade
Para quem não é um ponta-de-lança, Cristiano Ronaldo é um caso de estudo. A regularidade com que marca golos já fez dele o terceiro melhor marcador de sempre da Seleção Nacional. Os seus 40 golos foram divididos de forma perfeita: 20 em estádios portugueses e outros 20 no estrangeiro.
O recinto onde mais vezes acertou na baliza contrária foi o Estádio José Alvalade, onde apontou 6 golos. Um dos mais mediáticos foi diante da Holanda, no Euro’2004, que festejou de forma exuberante, despindo a camisola e exibindo o seu tronco musculado. Em Portugal, já fez 4 golos no Estádio Algarve, 3 na Luz, 2 no Dragão, outros 2 no Bessa e 1 em Coimbra, Guimarães e Leiria.
Os 40 golos foram apontados a 25 adversários diferentes, sendo a Holanda o seu preferido, com quatro tentos apontados. Ao Luxemburgo marcou 3 e a 10 seleções apontou 2 golos: Arábia Saudita, Azerbaijão, Bélgica, Bósnia-Herzegovina, Cazaquistão, Chipre, Dinamarca, Estónia, Rep. Checa e Rússia. Ronaldo também já marcou à Argentina, Arménia, Coreia do Norte, Croácia, Equador, Eslováquia, Finlândia, Grécia, Irão, Islândia, Letónia, Panamá e Polónia.