As aventuras de Harry Potter
No último clássico na Luz, decidiu de trivela na cara de Quim (2007/08)...
Está de volta um dos artistas mais marcantes dos últimos anos do futebol português, responsável por seis temporadas de magia, período ao longo do qual foi campeão nacional por quatro vezes. Ricardo Quaresma, com duas épocas no Sporting e quatro no FC Porto, regressa aos 30 anos, na ponta final de uma carreira menor do que o talento que possui; com menos reconhecimento do que o merecido; com o currículo vazio em demasia para a genialidade que revela desde os tempos da adolescência.
Feitas as contas a 28 jogos efetuados entre os três grandes (quatro dérbis e 24 clássicos), as aventuras de Harry Potter têm sabor agridoce, traduzido no balanço de dez vitórias, dez derrotas e oito empates. Quaresma chegou à 1.ª Liga precisamente num jogo com o FC Porto, da primeira jornada do campeonato de 2001/02. Entrou cedo, aos 22 minutos, para o lugar do lesionado Sá Pinto, lançado por Laszlo Bölöni. Foi uma estreia feliz, selada com vitória por 1-0, golo de Niculae.
Relacionadas
Desde essa altura consolidou o estatuto de grande esperança e evoluiu para uma das grandes certezas do futebol. Campeão nacional na primeira época como sénior, Quaresma não perdeu com FC Porto e Benfica. Na época seguinte, foi derrotado em três de quatro embates mas estreou-se a marcar. Fê-lo no dérbi, com o Benfica, em jogo no Estádio Nacional, numa altura de transição da velha para a nova Luz.
Decisivo
Depois de uma temporada perdida em Barcelona, regressou à Liga. Em três das quatro épocas em que vestiu de azul e branco, Harry Potter foi grande figura do campeonato e principal responsável pela conquista de três títulos – os dois últimos de modo mais exuberante, sob o comando de Jesualdo Ferreira. Com o professor, Quaresma atingiu o máximo de si mesmo, superando em larga escala as ameaças de anos anteriores. Em 2006/07 e 2007/08, é legítimo dizer-se que o FC Porto foi campeão também porque o tinha do seu lado. Depois de experiências sem brilho no Inter Milão e no Chelsea, com breve parênteses de glória no Besiktas e passagem incógnita pelo Al Ahli (Emirados Árabes Unidos), regressa a Portugal justamente ao clube onde foi mais feliz e se expressou como nunca. Regressa com a possibilidade de se estrear na Luz. Na última vez que lá jogou, a 1 de dezembro de 2007, decidiu o clássico num lance concluído de trivela, na cara de Quim. É nesse palco onde foi tão feliz nessa noite que terá oportunidade de desempatar o balanço nesses 28 grandes jogos na 1.ª Liga: 10 vitórias, 8 empates e 10 derrotas.
FACTOS E NÚMEROS
» Em 28 dérbis e clássicos, só em oito ocasiões esteve em campo do primeiro ao último minuto;
» Nos restantes 20 embates, em 14 foi titular e em seis foi suplente utilizado;
» Venceu os jogos de estreia: pelo Sporting bateu o FC Porto por 1-0 (2001/02) e pelo FC Porto superiorizou-se ao Benfica, também por 1-0 (2004/05);
» Marcou cinco golos: um pelo Sporting (2-1) sobre o Benfica (2002/03) e quatro pelo FC Porto – empate com o Sporting e três vitórias sobre a águia;
» Na primeira época pelo Sporting saiu do banco três vezes, entrando para o lugar de Sá Pinto, Paulo Bento e... Ronaldo.