Carlos Manuel: «Um médio evoluído e com criatividade»
"Tinha um 'feitiozinho' nada fácil de moldar", lembra o técnico Carlos Manuel...
Os caminhos de Zé Luís e Carlos Manuel cruzaram-se, primeiro no Salgueiros, e depois no Campomaiorense. Em Paranhos, o treinador ouviu falar do médio, então no Cabeça Gorda (3.ª Divisão) através de Agatão, seu adjunto na altura.
“Ele conhecia-o e conversámos sobre a possibilidade de ele vir ao Porto treinar-se, para o observarmos. Foi um jovem que teve um processo de adaptação mais lento porque vinha de uma realidade completamente distinta”, recorda hoje a Record o “Carlão”.
A verdade é que no final do período de experiência, Carlos Manuel, em consonância com a sua equipa técnica, decidiu ficar com o jovem no plantel. O agora selecionador da Guiné-Bissau explica porquê. “Lembro-me que o Zé Luís era um médio bastante evoluído tecnicamente e com muita criatividade. Ficou connosco e ainda fez alguns jogos na primeira época. E só isso é bastante meritório, porque o Salgueiros tinha grandes jogadores para a sua posição”, como Deco, Leão, Abílio, Tulipa e Semedo.
Três anos depois, jogador e treinador voltaram a encontrar-se, desta vez no Campomaiorense, clube que viria a descer de divisão nessa temporada. “Na altura precisávamos de um jogador para aquela posição e fomos buscá-lo. Já o conhecia do Salgueiros e penso que foi uma boa decisão”, destaca.
A descer
Depois de jogar no Campomaiorense (2000/2001) – a última experiência na 1.ª Divisão –, Zé Luís teve uma carreira claramente descendente. “Não sei se isso poderá estar ou não interligado ao seu percurso, mas a verdade é que ele tinha um ‘feitiozinho’ nada fácil de moldar. Era um jovem irreverente”, observa o antigo internacional, bastante satisfeito por ser o ídolo de infância do seu ex-pupilo. “É muito bom saber que somos uma referência para alguém”, confessa, com orgulho.