"Estou a sentir um ar de mudança positiva"
Dia da Mulher
Nos dias que correm, cada vez mais ouvimos falar de igualdade de género;
como atleta e mulher sei que as diferenças ainda são significativas, sinto isso tanto a nível competitivo como dentro de água quando apenas quero apanhar ondas para treinar.
Correr um circuito mundial tem o mesmo custo sendo mulher ou homem, mas o ‘prize money’ da divisão feminina é cerca 1/3 da premiação masculina. É quase normal que as mulheres acabem por competir em condições de mar piores, um fator decisivo no que toca a performance. Tudo isto é injusto e até desmotivador.
No entanto, Portugal é um dos países onde o bodyboard feminino tem sido mais acarinhado e valorizado. Os frutos estão à vista. É impossível ignorar o bodyboard feminino luso, que tem um historial longo de excelentes resultados durante as últimas duas décadas. Temos também uma nova geração de atletas a surgir e tenho a certeza que o nosso legado no bodyboard feminino está em ótimas mãos para o futuro.
Quando me tornei campeã mundial, em 2017, senti uma alegria enorme por ter sido uma mulher a fazer história nos desportos de ondas em Portugal. Percebi que esse acontecimento iria mudar algumas mentalidades. Estou a sentir um ar de mudança positiva; como mulheres estamos numa fase de conquista e com apoio dos grandes homens do mundo desportivo a igualdade parece estar a ficar mais perto.
Para mim, o sucesso das mulheres portuguesas no desporto vem da sua capacidade de ultrapassar os obstáculos com uma enorme persistência e principalmente porque ela ‘corre’ por gosto!