Fernando Alexandre: «Só não uso o 65 se não puder»
Fernando Alexandre, o único jogador da Liga que joga com o número de anos do Record, já não saberia entrar em campo com outros algarismos nas costas. Omédio da Académica utiliza o 65 desde o tempo em que defendia os juniores do Benfica, numa “lotaria” que viria a ser decisiva para o resto da carreira.
“Só não uso o 65 se não puder. E não se trata de superstição”, começou por dizer o centro-campista, antes de lembrar o dia em que se cruzou com o 65 pela primeira vez. “Era júnior do Benfica e lá as coisas eram simples. Primeiro escolhiam os jogadores da equipa A, depois os da B e só depois os juniores. Apesar de já jogar nos B, como era júnior, acabaram por me dar um número alto... e foi o 65”, recorda o jogador, de 29 anos, justificando, depois, as razões para não querer trocar. “Só um ano não joguei com este número. No Leixões não me deixaram. Mas assim que pude voltei a utilizá-lo, porque não quero esquecer o meu percurso, que foi difícil mas enriquecedor”, sublinha, lançando de seguida um olhar para o futuro.
“Como me vejo aos 65 anos? A trabalhar, certamente, porque a reforma será cada vez mais tarde. Espero envelhecer tranquilamente”, defende, mostrando-se preocupado com o futuro. “Vejo pessoas mais velhas com grandes dificuldades para ter uma vida digna e isso assusta-me”, diz.
Confissões
Admirador confesso do ciclismo, “quase fanático”, tal como refere, Fernando Alexandre tem ainda no internacional italiano Pirlo uma referência, principalmente “por fazer muito pelo futebol e aparecer apenas por isso”.
Só que nem tudo na vida de um desportista é bom, o que o faz não querer ver um filho seu em campo. “Não queria, porque hoje em dia desvaloriza-se muito o talento. E sofre-se muito. Vi um sobrinho meu que joga hóquei chorar em campo só porque sofreu um golo e isso mexeu muito comigo. Senti-me muito pequeno e vieram-me também as lágrimas aos olhos. Se é assim com um sobrinho, como será com um filho?”, pergunta.
Polícia do miolo queria ser da BT
Para trás fica um bom percurso na Liga portuguesa, onde recentemente ultrapassou os 150 jogos – curiosamente, o encontro número 65 foi diante da Académica, quando defendia as cores do Olhanense – e pela frente tem ainda muitos anos para comandar o meio-campo da Briosa. Mas, nem sempre o sonho passou por ser “polícia” nos relvados. “Houve uma altura em que quis ser da Brigada de Trânsito. Talvez o sentido de responsabilidade e a procura do equilíbrio sejam pontos em comum com o que faço agora no futebol”, afirma, sorridente, dizendo que gosta de “roubar bolas para as dar aos colegas, mas tudo dentro da lei”.
«Gratidão pelo serviço que o jornal presta»
Fernando Alexandre entende o poder da comunicação social, na altura de levar as notícias até quem mais as quer: os apaixonados pelo desporto. “As pessoas compram aquilo que gostam. Ese compram mais o Record, é porque gostam mais deste jornal. E também é porque dá às pessoas aquilo que elas querem. Gostava de dar os parabéns ao Record pelo seu 65.º aniversário, deixando um abraço de muita gratidão pelo serviço que presta. Espero que continuem por muito mais tempo”, enaltece.