Fernando Couto: «Já estava preparadíssimo»
"Divido a importância de José Mourinho nos anos em que com ele trabalhei em duas vertentes...
Fernando Couto, ex-jogador de FC Porto e Barcelona, em discurso direto:
"Divido a importância de José Mourinho nos anos em que com ele trabalhei em duas vertentes: a pessoal e a profissional. A memória que guardo desses tempos é fantástica, principalmente aquela que resulta da época em que Bobby Robson foi o treinador do Barça, na qual só não vencemos a liga espanhola. Sempre reconheci esse período como um dos mais felizes da minha carreira, integrado numa das melhores equipas em que joguei.”
“O José Mourinho sempre teve preocupações de afeto para com os jogadores. Era muito humano, próximo e amigo no contacto pessoal connosco, revelando já naquele tempo uma preparação extraordinária feita de conhecimento e estudo. O tempo encarregou-se de mostrar esta faceta de um modo eloquente em todos os clubes por onde tem passado como treinador principal mas o que digo serve para confirmar a ideia de que, naquela altura, já estava preparadíssimo para assumir o comando de uma equipa.”
“No que me diz respeito e à importância dele na minha vida desportiva, só poderei dizer que me ajudou imenso. Nunca esquecerei o momento em que, ainda no FC Porto, fui suspenso pelo clube e obrigado a treinar-me sozinho. Foi ele quem me acompanhou nas sessões, funcionando como um amigo que suavizou o golpe de estar longe dos meus companheiros.”
“O José Mourinho completava-se muito bem com o Bobby Robson, de quem foi um auxiliar precioso. Sem beliscar o enorme profissionalismo que sempre revelou, estava sempre mais próximo dos jogadores: era dele a palavra amiga e a orientação certa para que satisfizéssemos as indicações do míster. Também fazia parte da equipa quando trabalhou com Van Gaal e acho que o treinador em que se transformou é uma espécie de misto entre a paixão de Robson e as ideias inovadoras de Louis. O holandês é um treinador que aposta no trabalho, na sistematização, em metodologias diferentes e, nessa altura, tinha pouco a ver com os outros treinadores de topo.”
“Como não o tive como treinador principal, de José Mourinho guardo como imagem mais forte o seu extraordinário lado humano e a cumplicidade que estabeleceu connosco. O resto, como hoje está à vista, é feito de talento, personalidade fortíssima, determinação, força interior, saber, método e comunicação.”