Mulheres de Atenas

Dia da Mulher

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O desporto é, por excelência, a arena pública do mérito, do dom, da superação, da competição, do ‘que vença o melhor’, da justiça. Logo, se há área onde a desigualdade entre homens e mulheres é particularmente ofensiva e inaceitável, é no campo, no ringue, no relvado. Estas diferenças de género têm vindo a esbater-se um pouco nos últimos anos mas ainda são gritantes. Continuam a existir supostas modalidades para rapazes e para raparigas, quase metade dos atletas são do sexo feminino mas a comunicação social não lhe dá nem 10% de visibilidade, no ranking dos 100 mais bem pagos do Mundo há apenas uma mulher.

Serena Williams ocupa a 51.ª posição e ganha muito menos do que o número um, Cristiano Ronaldo. No desporto feminino – ténis, futebol, basquete ou outro qualquer –, salários, prémios, incentivos, patrocínios, são também incomparáveis. Veja-se o caso de Lydia Ko, por exemplo. Em 2015, tornou-se na mais jovem jogadora de golfe profissional de sempre (de ambos os géneros). Um feito. Mesmo assim, ganhava menos do que o 25.º classificado masculino na PGA Tour. Da mesma forma, a atleta mais bem paga da NBA feminina (WNBA) ganha menos de um quinto do que o jogador mais mal pago dessa associação.

O desporto continua a ser um clube de rapazes, a cave menina-não-entra. As palavras do fundador dos Jogos Olímpicos modernos, Pierre de Coubertin, que as mulheres não foram feitas para a competição, ainda ecoam. Realmente, neste court, o único mérito dos homens é persistir na injustiça. Mas vá lá, pessoal: está na hora do mais importante fair play de todos e do grande desportivismo. Oportunidades iguais.

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