Na sombra de um mito

alex conta como é ser filho de uma lenda

Na sombra de um mito
Na sombra de um mito

O nome Axel Merckx provavelmente diz pouco a muita gente, mas se acrescentarmos que é filho do antigo ciclista Eddie Merckx, o cenário muda de figura. O nosso jornal aproveitou a sua presença na Volta ao Alentejo – esteve na qualidade de diretor-desportivo da Bontrager, equipa que venceu a prova – para uma breve conversa. Será que o campeoníssimo Eddie Merckx (vencedor de cinco Voltas a França e outras tantas a Itália) é o melhor ciclista de todos os tempos?

“Sim, claro”, disse categórico Axel Merckx, também ele um ex-corredor. “Ninguém ganhou tantas corridas, com o nível que demonstrou. Não há outro que se compare a ele na história do ciclismo e estou muito orgulhoso por isso.”

Como foi pois ser ciclista à sombra de um mito? Exigiram-lhe que fosse um segundo Eddie Merckx? “Na Bélgica existem muitos campeões na modalidade, a exigência é muito grande. Não é fácil ser filho de uma grande estrela do ciclismo ou de outro desporto. Mas procurei fazer a minha carreira, divertir-me e consegui ‘escrever uma bela página’.”

A medalha

A expressão de Axel Merckx, agora com 40 anos, refere-se à conquista de uma medalha olímpica, resultado, curiosamente, que o pai nunca conseguiu alcançar. “Sinto-me orgulhoso disso. Foi bom ter estado lá, apesar de o [Sérgio] Paulinho ter ficado à minha frente. Mas fiquei com o bronze”, destacou. A prova de estrada dos Jogos Olímpicos de Atenas’2004 foi ganha, recorde-se, pelo italiano Paolo Bettini, ficando o português com a medalha de prata.

O futebol

Não se pense que Axel Merckx começou no ciclismo muito cedo. “O desporto é a minha vida. Gosto de praticar vários, desde correr, a fazer natação. E se aprecio também o futebol? Sim. Antes de ser ciclista fui jogador de futebol durante nove anos. Joguei no Anderlecht.” Em que posição? “No meio-campo e na defesa.” Como se dá então a passagem para o ciclismo? Influência do pai? “Não propriamente. A verdade é que o ciclismo sempre foi a minha vida. Um dia experimentei e ainda cá estou...”

Um jogo especial com o Benfica

Conhecedor do desporto rei e com uma grande paixão pelo Anderlecht, Axel Merckx guarda boas recordações de um certo jogo da equipa belga diante de uma formação portuguesa. “Cheguei a ver o Benfica jogar. Foi na Bélgica, na final da Taça UEFA. Não me lembro bem do dia, mas penso que foi em 1984.” Não foi nesse ano, mas sim um ano antes. “O Anderlecht ganhou esse jogo e a Taça UEFA, disputada na altura em duas mãos.”

E quanto aos astros atuais. Prefere Ronaldo ou Messi? “Não sou particularmente fã do Real Madrid. Prefiro o Barcelona e por causa disso tenho de escolher o Messi. Peço desculpa [risos]. Mas o Ronaldo está certamente entre os melhores.”

Amizade com Lance armstrong não ficou abalada

Falar de Lance Armstrong com Axel Merckx era inevitável, até porque chegaram a ser colegas de equipa e a ligação dura até aos dias de hoje. Ou seja, o escândalo de doping em que o norte-americano está envolvido e a posterior confissão não abalaram uma amizade com 20 anos. Foram companheiros na Motorola no início das respetivas carreiras – refira-se que Lance Armstrong é apenas um ano mais velho que o belga.

“Não vou comentar as decisões que ele toma na sua vida, não sou eu quem devo dizer se fez bem ou mal admitir o uso de doping. O que digo é que ele é um bom amigo. Apoiei-o quando ele teve cancro e continuo a fazê-lo agora e em todas as ocasiões. Estarei a seu lado sempre que precisar de mim”, confessou Axel Merckx, visivelmente emocionado quando falou sobre Armstrong, pessoa que se revelou decisiva na sua carreira de diretor-desportivo. É que a equipa da Bontrager (ex-Trek-Livestrong) foi criada como satélite da RadioShack “Jamais esquecerei a oportunidade que me deu ao fazer parte deste projeto.”

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