No final ganham os alemães
Estádios cheios, saúde financeira e formação são as premissas do modelo germânico...
No caminho triunfal para Amesterdão, o Benfica deixou para trás o Bayer Leverkusen e Jorge Jesus logo destacou a eliminação de “uma grande equipa do campeonato alemão, que é o mais forte do Mundo atualmente”. Agora, o desempenho de Bayern Munique e Borussia Dortmund na Liga dos Campeões – afastando os colossos Barcelona e Real Madrid – veio não só reforçar a tese do técnico português como demonstrar que, no futebol, o equilíbrio de poder pode mudar rapidamente em 180 minutos.
Pela primeira vez na história, a final da Champions será discutida entre duas equipas alemãs e este sucesso ajuda a transformar a Bundesliga numa superpotência. Segundo um estudo levado a cabo pela revista “World Soccer”, a Bundesliga tornou-se mesmo a liga mais atrativa.
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Tal como na economia, a Alemanha começa a mostrar a sua força na Europa do futebol, com Bayern e B. Dortmund a refletirem bem os pontos fortes do modelo germânico: uma invejável saúde financeira, sustentada numa aposta significativa na formação. Aproveitando a organização do Mundial’2006, a Alemanha reformou os seus estádios, atraiu espectadores, fortaleceu clubes, gerou novos patrocinadores e receitas comerciais. Sem perder de vista Itália e Espanha, que já foram donas dos mais espetaculares campeonatos, a Bundesliga soube, assim, reinventar-se.
“O futebol trabalha em gerações”, explicou o alemão Bernd Schuster, ex-jogador de Barcelona e Real Madrid ao jornal “Marca”: “Nos últimos anos, Espanha teve uma grande seleção e produziu jogadores fantásticos, mas todos os ciclos chegam ao fim, tal como aconteceu com Itália.”
Formação
O ano 2000 marcou esta inflexão no futebol alemão. Os clubes passaram a investir forte na formação, despendendo mais de 700 milhões de euros na última década e criou-se legislação adequada. A nenhum clube se atribuía uma licença para competir nas ligas profissionais se não criasse uma academia. Foi desta forma que o Borussia Dortmund se reergueu e deu a conhecer talentos como Sahin e Götze, o criativo de 20 anos que o Bayern já tratou de contratar para a próxima campanha, a troco de 37 milhões de euros. Aliás, mesmo o poderoso Bayern, cuja filosofia inclui também um livro de cheques, ganhou ao Barcelona com quatro produtos das suas camadas jovens: Lahm, Alaba, Schweinsteiger e Müller.
Poder económico
Em termos financeiros, a Bundesliga é de igual modo uma referência. A Premier League continua a ser mais lucrativa, mas o campeonato alemão tem vindo a ganhar terreno. Em Inglaterra, tal como em Espanha, os direitos televisivos representam uma forte percentagem das receitas dos clubes, mas na Alemanha a maior fatia do bolo cabe à atividade comercial. No Bayern, os acordos de patrocínio, o merchandising e a publicidade significam cerca de 55 por cento das receitas. Em vez de terem apenas um parceiro comercial, as equipas alemãs estabelecem alianças com diversas empresas, um modelo que o Manchester United procura agora implementar.
“Não dependemos de sheiks árabes”, sublinhou Paul Breitner, antiga glória alemã e atual consultor da Bundesliga, numa entrevista à ESPN. A solidez financeira permite aos clubes competir pelos melhores jogadores. Na época passada, o Bayern pagou 40 milhões de euros por JaviMartínez, médio que também era cobiçado por Barcelona e Juventus.
A Bundesliga é ainda a liga com mais espectadores, algo a que ajudam os preços acessíveis, os estádios perfeitos e os horários adequados às famílias. Por tudo isto, a mítica frase do inglês Gary Lineker, proferida no Mundial’90, continua atual: “O futebol é um jogo simples: 22 homens perseguem uma bola durante 90’ e no final ganham os alemães.”