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O Dragão que já não fuma

Na altura em que era um fumador de elite, Pinto da Costa também trabalhava para uma firma que vendia eletrodomésticos...

O Dragão que já não fuma
O Dragão que já não fuma • Foto: DR

Pinto da Costa é um homem de poucos vícios (quem não os tem?). Raramente bebe álcool e não fuma. Mas já foi um fumador compulsivo, conforme confessou durante uma conferência, realizada no Hospital de S. João, a propósito dos malefícios de uma erva que quando foi introduzida na Europa era considerada “santa” e que ainda no século 20 era anunciada na televisão por médicos. Talvez por isso, Jorge Nuno depressa se tornou um membro do clube dos fumadores. Chegou a fumar três maços por dia. “Até no duche fumava”, revelou.

O presidente do FC Porto fumava uma marca de tabaco açoriana: Apolo 20. Uma das três últimas missões da Nasa que não se realizou. A Apollo 20 estava programada para aterrar na Lua, na cratera Copernicus. Mas os foguetões nunca foram ligados. Houve fumo mas não houve fogo.

Na altura em que era um fumador de elite, Pinto da Costa também trabalhava para uma firma que vendia eletrodomésticos, a Segrob, que só abandonou pouco anos depois de assumir a presidência do FC Porto. Só assim se percebeu uma manchete da “Gazeta dos Desportos” em que Pinto da Costa dizia: “Sou apenas um vendedor de fogões”. O autor da entrevista foi o meu colega Paulo Montes e acho que esta entrevista ainda continua no seu “top ten”.

Pinto da Costa aproveitava as viagens aos Açores em negócios para comprar o seu tabaquinho. Levava uma mala vazia e trazia-a cheia de tabaco, num tempo em que ainda não havia limite para o transporte de tabaco das ilhas para o continente. O vício era imenso, mas Pinto da Costa deixou-o de lado no dia em que foi eleito presidente do FC Porto. Temia elevar a média de consumo de tabaco face às preocupações que o esperavam, sobretudo a nível financeiro, num momento em que o FC Porto vivia com uma mão atrás e outra à frente.

Para quem fumava três maços de Apolo 20, uma das marcas de tabaco produzidas no arquipélago dos Açores, tal como o Além Mar e o Boa Viagem, não terá sido fácil deixar um cigarrinho de lado. O tal cigarrito que era também caraterística de José Maria Pedroto, o treinador que serviu de modelo para o atual presidente do FC Porto, conhecido ainda apelos nomes de “Mestre” e “Zé do Boné”. Nessa altura, quando Pinto da Costa era apenas chefe do departamento de futebol, o banco do FC Porto podia ser confundido com uma chaminé.

A verdade é que Jorge Nuno Pinto da Costa conseguiu largar o tabaco e, como também costuma acontecer, de fumador assíduo passou a combatente. O Estádio do Dragão foi, aliás, o primeiro estádio português onde passou a ser proibido fumar e Pinto da Costa até chegou a escrever um artigo para o “Público” a salientar os malefícios do tabaco.

Mas os jornalistas já o apanharam com um cigarrito na mão. Mais uma vez era a ironia do costume, com o presidente apenas a colocar-se a jeito das câmaras fotográficas…

Portanto, este presidente que completa o seu 31.º aniversário desde que tomou posse no próximo dia 23 é claramente um dragão sem fumo mas que, como todos sabem, continua a “cuspir fogo” sempre que aparece na praça pública. Mas este é um fogo que arde sem doer.

Bem, só falta falar dos outros vícios do presidente. Sobre o maior de todos ninguém tem dúvidas: o FC Porto. Quanto a pequenos vícios, declaradamente arroz de frango com um ovo a cavalo. E todos a pensarem que eu ia escrever tripas à moda do Porto.

Pois é.

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