O explorador de África no meio dos tubarões
Uma das maiores pérolas do Chelsea é da Sponsor Dream: Bertrand Traoré...
Angola, Burquina Faso, Cabo Verde, Gabão, Gana, Guiné-Bissau, Guiné-Conacri, Mali, Níger e Nigéria. São dez os países africanos que constam na lista de jogadores representados pela Sponsor Dream. Jorge Pires, um dos sócios fundadores, explica o fascínio por este mercado. “Gostamos muito de lá ir e continuaremos a explorá-lo. O nosso alvo são jogadores da formação, dos 14 aos 18 anos. Não têm vícios e dá gosto ajudar aquelas famílias”, assume, avisando que apesar da vasta oferta o trabalho é árduo: “Principalmente os clubes franceses e ingleses já andam muito por lá e têm levado os melhores jogadores.”
Claro que há exceções e Jorge Pires tem orgulho em falar de um caso concreto. “Aos 12 anos, descobrimos um dos maiores talentos africanos, o Bertrand Traoré. O Chelsea, o Manchester United e o City, além de inúmeras equipas de França, quiseram contratá-lo. Foi uma loucura pelo miúdo”, recorda quem se estreou a viajar em 1.ª classe quase diretamente para o escritório de Roman Abramovich. Os blues de Londres fechariam mesmo a transferência do avançado que esta época, e ainda com idade de júnior, tem atuado, por empréstimo, na equipa principal dos holandeses do Vitesse (marcou 3 golos nas 3 últimas jornadas!).
Banda larga
A ligação ao treinador Paulo Duarte, antigo selecionador de Burquina Faso e Gabão, foi determinante na seleção de talentos a observar, mas a Sponsor Dream também faz questão de trabalhar os mercados europeus. Os bons negócios, por vezes, não se chegam a concretizar como a mudança de Kevin Constant do Châteauroux para o Sp. Braga. O médio acabaria por rumar ao Chievo, antes de chegar ao... Milan. Pouco tempo depois, as portas da Série A abrir-se-iam e logo com o selo do Inter Milão, com a intermediação da transferência de Luc Castaignos, proveniente do Feyenoord.
Por cá, o jogador de Jorge Pires que mais deu que falar foi Labyad. Desejado na Luz, rumou ao Sporting, onde, após uma época, seria cedido ao Vitesse para voltar a provar todas as suas qualidades.
Duas montras para os jovens
Nem sempre é fácil colocar todos os jogadores e quando se trata de alguém que sobe a sénior os problemas aumentam devido aos direitos de formação. A Sponsor Dream encontrou uma solução. “Vamos no 3.º ano da parceria com o Tourizense, e nesta época estreitámos relações com o Vila Flor. Muitos jovens não são aproveitados nos clubes de origem, mas também não são libertados para clubes maiores. No Tourizense e no Vila Flor podem provar que vale a pena alguém da 1.ª ou 2.ª Liga pagar por eles. São excelentes plataformas para ganharem experiência e competitividade. São boas montras. Em dois anos, colocámos 20 desses jogadores nas divisões profissionais e mais seis portugueses receberam propostas, mas ainda não conseguimos resolver a questão dos direitos de formação”, explica Jorge Pires, que também representa treinadores: Paulo Duarte esteve em duas seleções e no Le Mans, enquanto André David vai festejar a subida pelo Oliveira do Hospital.
PERFIL
Jorge Miguel Pires Serralheiro nasceu em Vidago a 21 de agosto de 1981. Praticou futebol na adolescência, mas sempre teve noção de que não tinha andamento para se tornar profissional. Aplicou-se nos estudos, licenciou-se em Direito na Universidade do Minho e, ao contrário dos amigos que seguiam a carreira dos jogadores das grandes equipas, preferia acompanhar a progressão meteórica do seu ídolo Jorge Mendes. Chegou a enviar currículos e faxes para a Gestifute. Sem resposta, decidiu arriscar, em 2009, com os amigos Jota (antigo futebolista) e Pedro (colega de curso) no mundo dos agentes. A primeira experiência serviu para ganhar conhecimentos e, três anos depois, fundou a Sponsor Dream, com a ajuda do investidor português radicado no Brasil, Alfredo Sequeira, e do advogado Fred. O extremo Diogo Viana seria um dos seus primeiros jogadores e não demorou muito a colocá-lo no FC Porto, envolvido no negócio da troca de Hélder Postiga para o Sporting.