Projeto Fábio Paim: Como nas melhores academias

Projeto foi idealizado por Bruno Neiva e José Oliveira

• Foto: Ricardo Jr

Está sediado na casa do SC Coimbrões, mas independente do clube, o ‘Projeto Fábio Paim’ foi idealizado por Bruno Neiva e José Oliveira. Trata-se de um programa de treino técnico que vai muito além de ensinar miúdos a fintar como Paim. Há uma estrutura (bem) montada e devidamente oleada por dez treinadores, dois dos quais especializados no treino de guarda-redes.

Passe, receção, jogo de cabeça, remate, uso dos dois pés, drible, controlo de bola, resistência, reação, agilidade, coordenação, velocidade, impulsão, eis os cânones de apreciação de cada promessa de jogador, segundo a bitola do ‘Projeto Fábio Paim’. Passam todos pela balança, que dita peso, massa corporal e outros índices de somenos importância. E não faltam nutricionistas preparados para ajudar. "São criadas fichas individuais para cada jogador", revela Bruno Neiva, antigo internacional português de andebol e jogador do FC Porto entre 1992 e 2002. "A avaliação vai ao pormenor, à exaustão, ao ponto de serem discutidos pormenores... moleculares entre os treinadores, num processo que custa cerca de dez horas semanais aos coordenadores, dedicados a este projeto em horário pós-laboral", acrescenta.

Em breve, o projeto estender-se-á a Lisboa, estando prevista uma semana de treinos intensiva. "Todos os dias, das 8 da manhã às 6 da tarde", explica Bruno Neiva. "Será muito parecido com um estágio de uma equipa profissional, com a diferença de irem dormir a casa. De resto, tudo igual. O dia será inteiramente dedicado ao futebol, mas não passa só pelo treino. Haverá sessões táticas com recurso ao vídeo, entre outras atividades", revela. "Estamos em conversações para levar o projeto a Angola, China e Luxemburgo. Queremos que cresça de forma sustentada e atinja dimensão nacional e internacional", completa José Oliveira, um empresário ligado ao ramo da hotelaria "que nunca tinha tido contacto com o futebol, muito menos com o treino propriamente dito".

Do Sporting à Premier League e passar pelo... ‘Love on Top’

Fábio Paim brilhou nas camadas jovens do Sporting, mas nunca jogou na equipa principal. Tido como uma das maiores pérolas da Academia, ganhava mais aos 16 anos que metade da equipa profissional dos leões. O dinheiro foi a sua perdição e quem pagou foi a carreira. Em 2008/09, depois de empréstimos sucessivos a Olivais e Moscavide, Trofense e Paços de Ferreira, a ligação a Jorge Mendes levou-o ao Chelsea, onde nem a mão pesada de Scolari teve força para o endireitar.

Nunca jogou em Stamford Bridge, nem tão-pouco na Premier League, seguindo dali para o Real Sport Club. Livre da alçada do leão, assinou pelo Torreense, passou por Angola (1º Agosto e Benfica Luanda), voltou para jogar no Futebol Benfica, partiu para o Qatar (Al Kharaitiyat), regressou pela mão da AD Oliveirense, rumou à China (Shenzhen FC), saltitou por Malta (Mosta FC), Lituânia (Nevezis) e Luxemburgo (Union 05), tornou a Portugal "para jogar à borla no Sintra Football", mas não resistiu e abandonou para ingressar… num reality show da TVI. Do ‘Love on Top’ foi para o Brasil onde nunca chegou a jogar pelo Paraíba do Sul. Dali veio para a equipa do Leixões B, no início desta época, antes de decidir pendurar as botas e dar primazia à sua nova vida: o ‘Projeto Fábio Paim’.

"Escrevi-lhe uma mensagem pelo Facebook a explicar-lhe o que pretendíamos", conta-nos Bruno Neiva, já depois de José Oliveira ter dito a Record que "o projeto estava pensado há um par de anos, mas faltava que o Fábio tivesse finalmente condições para o integrar". Paim só precisou de fintar a desconfiança: "Não é por mal, mas de início pensei que eram só mais dois que se queriam aproveitar de mim. Graças a Deus são como uma família para mim!" 

«Perdi tudo mas cá estou…»

"Sempre fui um miúdo feliz. Não preciso de muito. Se tiver as minhas coisinhas minimamente organizadas, estou bem." A revelação é desarmante. Mais ainda quando nos confessa a "vergonha de falar com os amigos" que cresceram com ele: "Vocês sabem o que passei e ao ponto a que cheguei... Então tinha vergonha de falar com eles porque achava que podiam pensar que me estava a aproximar por interesse. Sei que é uma estupidez, mas pronto... Recentemente, estive com o Bruma, o Yannick, até com o Ronaldo. Quando me veem fazem ‘ganda’ festa!" Pior só quando é contactado por quem passou pelo mesmo que ele mas não teve arte para dar a volta. "Tenho colegas que deixaram de jogar à bola, perderam tudo e não sabem o que fazer. Eu cá estou. Já perdi tudo há oito ou nove anos, mas cá continuo. Primeiro gozam comigo; agora ligam-me... Querem vender as casas e os carros e ligam a quem? Ao Paim! O dinheiro deixa de entrar, mas as contas continuam. E grandes! As minhas agora são pequeninas, tive de me adaptar", salienta.

«Fui buscar botas à mãe do Carriço»

Fábio Paim vive para a companheira Patrícia e para os filhos Jaden e Luana, sem esquecer a importância que a sua mãe teve e tem na sua vida. Humilde, não esconde as dificuldades por que passou, muito menos o apoio dos amigos. Sobretudo de Rui Patrício e Daniel Carriço, amigos desde os tempos da Academia Sporting. "O Carriço está farto de me convidar para ir ter com ele a Sevilha. Aqui há tempos ficou chateado, quando lhe pedi umas botas. ‘Quer dizer, ligo-te e não me atendes; convido-te para me visitares e não queres... E agora vens pedir chuteiras?’... Ao que lhe respondi: ‘Mano?! Eu vou aí fazer o quê? Queres que atenda para quê? Eu sei que estás bem, mano. Manda só as botas!’ E ele mandou. Fui a casa da mãe dele buscá-las", conta Paim, de gargalhada em gargalhada.

Por António Adão Farias
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