Zuneid Sidat: «Sonho ver Moçambique chegar a um Mundial»
Quando o moçambicano Mexer assinou pelo Sporting em meados de dezembro de 2009, pela mão do tio (Shafee Sidat), Zuneid Sidat ainda não pensava em fazer carreira no agenciamento de jogadores. Contudo, não tardou a trocar o cargo de vice-presidente responsável pelo futebol do Liga Muçulmana pelo papel de empresário. Tudo com um objetivo bem definido: ajudar Moçambique a chegar à fase final do Mundial!
“Trabalho no ramo por paixão e o meu sonho é ver a seleção do meu país apurar-se para o Rússia’2018. Se conseguirmos colocar 15 ou 20 jogadores a atuar na Europa, que cheguem a esse apuramento com o máximo de 29 anos, podemos pensar nisso”, refere o agente, que encontrou na Choupana a porta de entrada no futebol português.
“Houve uma química, estabeleci uma relação de confiança com o presidente do Nacional, Rui Alves, e depois foi uma bola de neve. Ao início houve algumas dúvidas, mas, graças ao Mexer, ao Zainadine e ao Reginaldo, o jogador moçambicano hoje em dia já é reconhecido como tendo qualidade e talento”, explica Zuneid Sidat, garantindo que os clubes portugueses “podem apostar nesse mercado à confiança”.
Expansão
O U. Madeira começou a explorar o filão e já contratou quatro moçambicanos – Ricardo Campos, Edson, Naftal e Zé Luís – para atacar a subida. Mais uma etapa do empresário no seu projeto a médio prazo de colocar a seleção a lutar pela presença no Mundial.
“O primeiro passo foi levar técnicos portugueses para Moçambique de modo a mudar o estilo de jogo. Levei o Litos, Rogério Gonçalves e Vítor Pontes, o que permite que os jogadores venham para a Europa e não precisem daqueles meses de adaptação. Essa intensidade só beneficia a qualidade da nossa seleção”, afirma o agente, que pretende fazer o mesmo que João José tem feito pela seleção de Cabo Verde.
E determinação não lhe falta. “Enquanto não vir Moçambique a chegar a um Mundial vou continuar a trabalhar apenas com jogadores do meu país”, frisa, orgulhoso.
Quando o tio teve de recusar convite leonino
A expressão de Zuneid Sidat é de enorme orgulho quando fala da família, destacando um episódio envolvendo o seu tio, Shafee Sidat, atualmente líder da federação de atletismo. “Ele jogou futebol no Ferroviário e no Maxaquene. Era defesa-central ou médio-defensivo, daqueles durões, e chegou a sagrar-se campeão nacional de juniores”, revela, garantindo que a carreira do tio nos relvados até podia ter sido bem mais brilhante.
“A certa altura o Sporting quis contratá-lo. Chegou a fazer uma proposta concreta, mas o pai impediu a transferência e obrigou-o a finalizar os estudos em economia. Naquele tempo, estávamos na época 1986/87, o futebol também não envolvia as quantias que envolve agora”, explica.
De forma a provar o que diz, o empresário recorre a um treinador bem conhecido no panorama nacional. “Há pouco tempo encontrei o Rui Caçador, que orientou o meu tio no Maxaquene. Disse-me que ele era muito talentoso e que tinha cometido um erro ao não aceitar o convite do Sporting”, frisa. Numa daquelas curiosidades da vida, anos mais tarde, em 2009, Shafee Sidat apresentou-se mesmo em Alvalade, mas para acompanhar Mexer – como seu agente – na mudança para os leões.