Guilherme Barreto: «Mesmos erros são repetidos há 10 anos»
Paragem devido à Covid “aumentou pressão” sobre os atletas e lesões já se fazem sentir
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A Festa do Basquetebol tem sido um marco obrigatório na agenda de Guilherme Barreto nos últimos 10 anos. Apesar de o tempo ter passado, o fisioterapeuta conta que há coisas que se mantém iguais.
"Já trabalho na prova há dez anos e observo que continuam a ser cometidos os mesmos erros e o mesmo tipo de lesões. O padrão não tem mudado muito. É uma das formas de entender que a formação do basquetebol não difere de ano para ano", reconhece, sem esquecer que a paragem de dois anos devido à Covid-19. "Há miúdos que se estreiam em muitas equipas, outros que perderam a oportunidade de vir e agora estão no último ano. Portanto, julgo que aumentou a pressão sobre os miúdos. É muito mau, porque faz com que apareçam mais atletas lesionados. É o primeiro dia de prova e já tivemos muitos jogadores que até já vieram com lesões, por essa razão que referi", lamenta.
O fisioterapeuta aponta ainda outro fator a ter em conta. "A preparação física dos corpos dos nossos atletas não é pensada. Grande parte deles são muito débeis fisicamente, porque não fazem uma preparação física apropriada. Não fazem multidesportos, especializam-se numa modalidade muito cedo e depois não têm preparação adequada. Esta competição dá para perceber que os nossos miúdos não estão tão bem preparados para ser superatletas", sustenta, perspetivando que as lesões se agravem "entre o segundo e o terceiro dia, que é quando a fadiga vai ser mais elevada."
Fratura num pé e mais 45 lesões
O relógio marcava as 15h15 quando Record falou com o fisioterapeuta. Com cerca de seis horas de prova já havia "mais de 45 pessoas lesionadas." "Já fizemos 11 raios-x e ainda só tivemos uma fratura", conta Guilherme Barreto. Essa lesão fez uma baixa nas Sub-14 de Castelo Branco. "Ainda não percebeu bem o que se passou. Está um bocado desanimada, mas está focada em curar isto e para o ano voltamos", revela o pai de Laura Fazenda.