Ter pai crítico dita avaliação contínua

"Desde que ela começou a jogar, no Maia BC, devo ter falhado, no máximo, uns três jogos. Vou sempre ver. Gosto, porque também pratiquei a modalidade, mas essencialmente quero estar por perto, acompanhá-la", explica o nosso camarada de Redação.

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• Foto: Vítor Mota
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Os jornalistas costumam fazer perguntas, pelo que a conversa a seguir começa de forma normal... com um jornalista a colocar questões. A situação torna-se algo improvável quando as respostas surgem através de outro jornalista, que por acaso conhece o primeiro (trabalham no mesmo jornal há mais de 20 anos). Está confuso? Passemos a explicar: António Mendes, tal como o autor destas linhas, é jornalista em Record, e está em Albufeira a acompanhar de perto a Festa porque, nas Sub-14 do Porto, joga a sua filha Carolina.

"Desde que ela começou a jogar, no Maia BC, devo ter falhado, no máximo, uns três jogos. Vou sempre ver. Gosto, porque também pratiquei a modalidade, mas essencialmente quero estar por perto, acompanhá-la", explica o nosso camarada de Redação.

"Se também a avalio como costumo fazer com os jogadores de futebol? Claro! E creio que é mesmo essa faceta de jornalista que me leva, sempre, a ser crítico. Não tenho o hábito de começar a falar das incidências das partidas mal chego ao pé dela, no final dos jogos, mas é inevitável que a conversa surja no carro ou já em casa. Dou sempre a minha opinião e, admito, se calhar até sou injusto em determinadas situações, conforme a minha mulher já me alertou. Mas, a verdade é que não consigo ignorar o que vi ou deixar de comentar certas jogadas". acrescenta, sorridente, como que dando a entender que a Carolina tem muita paciência...

"Não sei se ela vai continuar a jogar quando for adulta, sei é que irá fazê-lo enquanto lhe der prazer. Estar com as amigas é o que quer, razão pela qual já me disse que jogará sempre no Maia BC. É o seu clube. Joguei no Guifões e já lhe disse, em jeito de brincadeira, que podia ir para lá, mas já sei que essa questão nem se coloca".

E avaliação global do crítico? "A Carolina ainda tem certas limitações técnicas, o que é normal, mas é impecável a defender, diria que é uma carraça". Se o pai diz...

Carolina assegura: "só chateia às vezes"

Minutos antes de cumprir o segundo jogo do dia, Carolina também falou a Record. Sorridente, mas algo envergonhada, lá foi dizendo que não considera "nada estranho" ter um pai que, por norma, avalia as prestações dos futebolistas e que, agora, faz o mesmo com as suas. "Essencialmente ele dá-me conselhos. Vê os jogos e chama a atenção", diz. Mas, apesar da avaliação positiva à atitude do pai/crítico, acabou por confessar que... "chateia às vezes". E dito isto, lá foi aquecer. Perante a indireta, António acrescentou que a filha liga menos às estatísticas que ele próprio. Provavelmente, ainda não se apercebeu que os pais (jornalistas ou não) são quase todos assim!

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