Bruno Romão pegou na bagagem e mudou-se para a pequena ilha de Aland. Abraçou o projeto do IFK Mariehamn e, até agora, está a correr bem, já que ocupam o 7º lugar da 1ª divisão da Finlândia.
"A qualidade não me surpreendeu até porque já acompanhava a liga há algum tempo. Há muito equilíbrio, há três ou quatro equipas com nível e orçamento acima. O país investiu muito na formação dos treinador e no futebol de formação", começou por referir o treinador, de 40 anos, frisando: "O nosso objetivo é muito claro: conseguir a permanência na Veikkausliiga. Em termos particulares, queremos ser competitivos em todos os jogos, melhorar o registo em casa, que vai suportar o objetivo, mas queremos uma imagem claro do nosso jogo. Um jogo ofensivo de controlo e um jogo defensivo alto e com intensidade que nos permita ir para todos os jogos para ganhar."
A verdade é que pelo norte da Europa o frio é muitas vezes um adversário extra, mas o técnico prefere não se focar nisso, até porque já se sente em casa. "Um dos pontos mais positivos tem que ver com a recetividade que as pessoas tiveram às minhas ideias e à minha forma de ajudar o clube e os jogadores. Neste momento, sinto-me adaptado e em casa", confessou o treinador.
A União Europeia é para muitos algo positivo e de extrema importância. Bruno Romão partilha desta visão e falar mesmo em "dádiva". "A visão da Europa como ela é e a comunicação que permite entre os estados membros é uma dádiva que não a devemos perder. É muito fácil para nós emigrantes saltarmos de país para país e começarmos a trabalhar sem visto e sem grande complicação", referiu, sublinhando até a importância do euro: "Não só o não ter de fazer contas, como o facto de não ter tido a necessidade de abrir conta na Finlândia. Uso a minha conta, o meu cartão e o meu telemóvel português. Tudo isso facilita a nossa entrada em países da Europa."
Aniversário não foi esquecido
Bruno Romão chegou a Aland no início do ano e poucos dias depois festejou o 40º aniversário. Apesar de estar há pouco tempo no clube e na cidade, prepararam-lhe o dia de anos. "Cheguei a uma quarta-feira e fiz anos no domingo. O clube teve o cuidado de organizar o meu dia e fizemos algumas atividades", contou o técnico, sublinhando: "Socialmente a minha integração foi muito fácil. O dia-a-dia não é muito diferente de Portugal. O clima é um pouco diferente e pode colocar-me em casa mais vezes no tempo livre, mas nem isso tem tido influência."
Treinador tem aulas de... sueco
Aland é uma região autónoma pertencente à Finlândia, composta por 6.500 pequenas ilhas, das quais apenas 60 são habitadas. Apesar de ser território finlandês, fruto da proximidade e da evolução histórica, a região apresenta fortes ligações à Suécia e tem o sueco como língua oficial. "Sueco é a língua oficial, mas a maioria das pessoas tem a gentileza de falar inglês comigo, mesmo em reuniões oficiais, e é algo que estou muito grato. Espero retribuir com as minhas aulas de sueco que estão a acontecer", contou o treinador.
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Por André Zeferino