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Hélder Esteves: «Sou 100% português e com amizade a França»

Hélder Esteves: «Sou 100% português e com amizade a França»

Em Saint-Maur, uma comuna francesa nos arredores de Paris, há um clube que tem Portugal nas suas origens e ainda hoje o símbolo tem as cores da nossa bandeira. O Lusitanos Saint-Maur, fundado em 1966 por descendentes de portugueses, está hoje na 5ª divisão francesa e é treinado pelo português Hélder Esteves.

"Quem não tem esperança não pode andar no futebol. É preciso trabalho, crer e acreditar. Temos de enfrentar uma certa realidade. Temos de jogar bem, trabalhar e ganhar. Um dia podemos subir", começou por referir Hélder Esteves, confessando que a localidade é um pequeno Portugal: "Aqui em Saint-Maur ainda não se fala mais português do que francês, mas é verdade que tentamos representar o país das pessoas que criaram este clube e o fazem durar até aos dias de hoje."

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A viver em França desde os 10 anos, fez a sua carreira pelo futebol francês e, inclusive, chegou a jogar no primeiro escalão. Apesar de ter a vida completamente feita em França, não descarta um regresso a casa. "Sempre tive o desejo de voltar a Portugal até ao 20 anos. Depois a vida profissional começou cá e tenho a sorte de viver num país com muitas vantagens. Sempre tive um bocado de medo de voltar a Portugal e estar um bocado perdido. Porque não voltar? Mas seria uma grande mudança", sublinhou o técnico, que inclusive viveu a mudança para o euro: "Não estive à espera do euro para ir a Portugal e me sentir português. Sou 100% português e com grande amizade a França. Temos a sorte de estar numa cidade com um nível de vida de qualidade, com trabalho e futebol. Mas quando chego a Portugal sinto logo a diferença. Mal ponho o pé no aeroporto e falo com as pessoas, sinto-me logo bem. É uma sensação particular. nossa vida está cá, mas tentamos sempre representar o nosso país.

Um refúgio para os emigrantes

Em França residem cerca de 600 mil emigrantes portugueses, segundo dados da Nações Unidas. Hélder Esteves foi um dos muitos que deixou Portugal e criou raízes em França, apesar de não ter dúvidas quando é questionado sobre por quem bate o seu coração. "Isso é uma coisa que não se decide. Ou se é português, ou francês. Cheguei cá miúdo, os meus filhos é que já são portugueses e franceses porque já nasceram cá", contou o treinador, revelando que tem a missão de colocar os filhos a falar português: "Os meus filhos estão a estudar para falar português, mas torna-se difícil quando a mãe é francesa."

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Cumprir o dever mesmo longe

Estar longe de casa não é um entrave para cumprir os deveres de cidadão. As eleições europeias estão aí à porta –decorrem no próximo dia 9 de junho – e qualquer cidadão europeu pode participar. Em 2019, 70% dos portugueses não se dirigiram às urnas, tendo Portugal registado a taxa de abstenção mais alta de sempre. Os portugueses que residem noutros países da União Europeia podem optar por votar nas eleições europeias de Portugal ou dos países em que residem, tal como os cidadãos europeus que residem no nosso país.

Por André Zeferino
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