Valter Viegas: «Quando cheguei aqui falavam muito português»

Defesa joga no Lusitanos Saint-Maur há sete temporadas e agora abre o coração

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Valter Viegas encontrou no Lusitanos Saint-Maur um refúgio português em Paris
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Valter Viegas é um dos muitos casos de jogadores de futebol de divisões inferiores que abraçaram o desafio de sair de Portugal, ingressar num clube estrangeiro e conseguir ganhar mais algum dinheiro. Atualmente joga no Lusitanos Saint-Maur, um clube fundado em 1966 por descendentes de portugueses, que está hoje na 5ª divisão francesa e é treinado pelo português Hélder Esteves. Valter Viegas é defesa-central e já é o capitão desde emblema gaulês. Em conversa com a nossa equipa de reportagem, recordou como foi chegar a um país novo.

"Foi bom. Foi uma experiência nova. Profissionalmente era a primeira vez que estava a sair de Portugal e ser recebido logo numa comunidade em que há bastantes portugueses foi muito bom para mim, para a adaptação e foi certamente um dos fatores que me fez vir para França. Ter esta ligação a Portugal, sentir-me um bocado mais em casa e ter confiança para sair do país", começou por contar o defesa, de 32 anos.

A jogar no Lusitanos Saint-Maur há sete temporadas, o central natural de Lisboa já teve vários colegas de equipa que falavam português. Uma ‘tradição’ que se tem perdido ao longo dos anos.

"Quando eu cheguei falavam muito português. Havia alguns portugueses e outros com descendência de países lusófonos, como o Brasil ou Cabo-verde. Agora, já não há tantos e perdeu-se um bocado a língua portuguesa no balneário. Mas a equipa técnica, os diretores e dois ou três jogadores ainda falam português", atirou.

Como muitos emigrantes espalhados por esse mundo fora à procura de uma vida melhor, Valter Viegas também tem um objetivo bem claro na mente: voltar a casa. "Não há dúvidas de que tenho a vontade de regressar a Portugal. Não há nada como o nosso país. A curto termo penso ficar em França enquanto achar que é bom profissionalmente, mas o meu objetivo é regressar a Portugal", confessou.

Dizer bom-dia ao entrar no café

França sempre foi um dos países que mais emigrantes portugueses recebeu ao longo dos anos. Atualmente, 9,2 por cento dos imigrantes em França são portugueses, pelo que há várias comunidades lusófonas no país. Em Saint-Maur está uma delas e, para Valter Viegas, foi uma enorme surpresa

"Aqui nas redondezas há muitos cafés portugueses e uma das coisas que me surpreendeu foi o entrares no café e dizerem-te bom dia. Quando cheguei isso aconteceu-me várias vezes e é algo que no enche o coração, estar fora de Portugal e podermos falar a nossa língua", confessou Valter Viegas.

Facilidade em voltar a casa

Portugal e França estão a um bilhete de avião de distância. Não há mais burocracias a tratar, pelo que é rápido para os emigrantes voltar a casa. "É um dos fatores para estar aqui há já algum tempo é esta proximidade com Portugal, ter a possibilidade de voltar a casa com alguma regularidade, ver a família, o que é bom e nos dá conforto", contou Valter Viegas, frisando: "França é um país que está na Europa, por isso é quase como em Portugal. A única coisa que muda é a língua, mas aos anos que eu estou por cá já domino."

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