Para poder usar esta funcionalidade deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site do Record, efectue o seu registo gratuito.
GRANDES acontecimentos à parte, Record continuou a evoluir em pequenos mas importantes pormenores, nomeadamente na criação de novas secções, procurando tornar o produto mais generalista e acessível a todos os leitores. Na maior parte deles, o sentido crítico e o humor mordaz ganharam um lugar jamais perdido nas páginas deste jornal. Secções como "Cortes e Recortes", "Lembra-se disto?" ou "Desporto de tempos idos" mostravam já a vocação para a crítica, por um lado, e para o evocar das lições do passado, por outro. O lado cronista também não é esquecido, como se vê nas pequenas histórias de Augusto Amaro em "Chutos ao Acaso".
Em Junho de 1950 já se procura também dar a palavra aos personagens das modalidades e regiões menos divulgadas. Em "Record ouve...", por exemplo, é dada a palavra a um dirigente da esgrima; em "Record na Província" fala-se de desporto regional. Ao mesmo tempo, procura-se acentuar a ligação com os leitores, na secção "Um inquérito de Record".
As últimas páginas já assumem então um carácter magazinesco: em 1953, Artur Agostinho assina "Variedades", onde fala de teatro, rádio e canção. Assinale-se, a 14 de Fevereiro de 1953, um texto sobre Amália Rodrigues, que surge numa fotografia em amena conversa com o redactor de Record. Intitula-se "Amália partiu mais uma vez...".
A RIVALIDADE COM "A BOLA"
É também na década de 50 que "A Bola" decide avançar com uma edição aos sábados. Começa a rivalidade entre os dois jornais, e em editorial na edição de 10 de Junho de 1950, Record mostra firmeza: "Não esquecemos que o desporto, assunto que enche as 12 páginas de ‘Record’, nos ensinou uma lição: não temer o adversário, mesmo que ele disponha de maiores e melhores recursos."
Em edição seguinte, "A Bola" responde, num artigo intitulado "Brincadeira de rapazes". Que merece a repulsa da Direcção de Record e um extenso editorial assim terminado: "É evidente que não nos interessa, de futuro, ter qualquer espécie de relações com o 'lealíssimo' jornal "A Bola". Damos, assim, por terminado este incidente, certos de que o público já tirou a devida conclusão de tudo isto... Antes de terminarmos, porém, queremos esclarecer os 'intangíveis' de "A Bola" que os rapazes não se conhecem pela idade, mas sim pelas acções que praticam. E, como às vezes se ignora o que se passa na própria casa, acrescentaremos que há homens de trinta anos e rapazes -- ou rapazolas -- que já passaram o cabo tormentoso dos cinquenta...". Na sequência, é publicada uma tabela, com o irónico título "...Onde se prova que todos os colaboradores de "Record" iniciaram a sua actividade jornalística nas colunas de "A Bola"...", com a origem dos jornalistas de Record. Só José Batalha, Mário Cília, Cardoso Ribeiro e Augusto Amaro eram provenientes do vizinho da Queimada.
A verdade é que o jornal respondeu bem ao desafio. A 3 de Fevereiro de 1953 passou a bissemanário (terça-feira e sábado) e aumentou a edição para 16 páginas. Pouco tempo antes, em 1952, o "Diário Popular", administrado por Brás Medeiros, antigo presidente do Sporting, tinha comprado a quota de 51 por cento a Fernando Ferreira, resolvendo-se, assim, uma situação difícil que o jornal então passava.
A terminar os primeiros 10 anos de vida, diz-se, em Editorial na edição de 24 de Novembro de 1959: "Temos procurado, nestes dez anos de labuta, manter o jornal afastado de tudo quanto seja política desportiva, com as mãos brancas de intenções menos justas, alheios a nomes de homens ou de instituições. Criticamos, com o calor e a serenidade dos que não temem, sempre que há motivo para críticas; louvamos, com a sinceridade e o despretenciosismo dos que querem ser justos, sempre que temos motivos para louvar."
J.S.
Ex-jogador e agora comunicador recorda episódio curioso em entrevista à 'Sábado'
Nervos estiveram à flor da pele durante a cobrança dos penáltis, que viria a determinar o vencedor da partida
Adeptos locais assobiaram também o hino egípcio