Anos 50: O desafio da Taça Latina e a supremacia do hóquei
O JORNAL tem uma boa aceitação, que levará a que, no terceiro número, o número de páginas seja aumentado para 12. São introduzidas novas secções.
Logo no segundo número, surgem os cartoons de Natalino, em "A Graça da Semana". Entretanto, Alves dos Santos inicia a visão dos "Jogos vistos de véspera". Ao terceiro número, o jornal conta com um corresponde internacional de prestígio, Pierre Rimet, filho do presidente da FIFA. Em Dezembro de 1949, a primeira iniciativa propondo a participação dos leitores: "Qual a equipa que o leitor formaria para defrontar a Espanha?", pergunta-se. Trata-se de "A Selecção da Opinião Pública" e vai apaixonar todos os treinadores de bancada.
Já nessa época, o futebol tinha um efeito catalisador. Embora fossem maus os resultados, gerava-se sempre um ambiente de grande expectativa à volta dos jogos da selecção. Os grandes confrontos internos também apaixonavam a opinião pública, nomeadamente os duelos entre o Sporting e o Benfica. Mas o primeiro grande acontecimento da vida de Record foi, porventura, a Taça Latina de futebol, disputada em Junho de 1950, no Jamor. O jornal mobiliza fortes meios para a cobertura, destacando Henrique Parreirão para o Atlético Madrid-Bordéus, Mário Cília para o Benfica-Lazio, Octávio Barrosa para as apreciações, Fernando Ferreira atento às quatro equipas sob o ponto de vista da preparação física, Ramiro Farinha encarregado das entrevistas com dirigentes, treinadores e capitães, e Alves dos Santos fazendo as previsões para os jogos.
O Benfica vence a Taça Latina, é o primeiro grande feito do futebol português, mas esta não será a década do futebol. São ainda os tempos do hóquei em patins, com a selecção, poderosa e empolgante, a arrastar multidões. A 3 de Junho de 1950, quando é lançada a Taça Latina, é o hóquei em patins que ocupa a metade de cima da primeira página: "Portugal conquistou brilhantemente, pela quarta vez consecutiva, os campeonatos da Europa e do Mundo". Sempre mobilizando meios para o hóquei em patins, para o Mundial de 1954, em Barcelona, Record destaca cinco redactores: Artur Agostinho, Domingos Lança Moreira, Amadeu José de Freitas, Hélder Soares, e o antigo hoquista António Adão. O desgosto nacional está guardado para a final, quando a equipa lusa perde com a Espanha. "Manchete" negra em Record: "E o pano caiu em Barcelona...".
O Mundial de hóquei em patins merecia três páginas por edição, o Mundial de futebol, na Suíça, merece duas. Outros tempos. O jornal acompanha ainda a vitória de Baptista Pereira na Mancha, baseando-se numa reportagem de Augusto Silva, feita para a BBC.
Outra grande aposta da década são os Jogos Olímpicos de Helsínquia. A comitiva portuguesa viaja de barco e Artur Agostinho descreve a viagem, com Lança Moreira a assinar um diário de bordo. O jornal envolve 17 elementos na cobertura dos Jogos.