Anos 80: Prémios, suplementos e aventura em África

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SE ESTA foi a década de todos as vitórias do desporto português, foi também a da consolidação de Record como um produto de qualidade e extrema competitividade no mercado dos jornais desportivos. Nesse sentido, e para além de ter acompanhado "in loco" todos os grandes acontecimentos, o jornal organizou-se nas suas páginas de forma a tornar-se um produto completo, criando novas secções e tomando as mais variadas iniciativas para conquista do mercado de leitores.

Esta é a década do aparecimento de Bate-Fundo, rubrica que ainda hoje se mantém e é a mais antiga de Record. A página, de cariz fundamentalmente satírico e humorístico, pretendendo contar histórias mais ou menos proibidas do mundo do desporto português, surgiu pela primeira vez na edição de 10 de Outubro de 1982. Publicado então na última página, só recentemente Bate-Fundo passou para as centrais.

As chamadas "Iniciativas de Record" também perduraram até aos dias de hoje. Foram criados diversos prémios -- O Artista do Golo, Apito de Ouro, O Melhor Futebol e O Melhor de “Record" --, para distinção dos melhores goleadores, melhores árbitros, melhores equipas e melhores jogadores.

Alguns destes prémios mantêm-se nos dias de hoje: o Apito de Ouro, O Melhor de “Record", enquanto O Artista do Golo foi substituído pela Bota de Ouro. O conteúdo do jornal é ainda enriquecido por novos géneros de informação: a "Retrospectiva de Resultados", feita por Henrique Parreirão, é um precioso auxiliar antes dos jogos do campeonato; surge o "AutoRecord", página sobre automobilismo; o "Registe", uma agenda de extrema utilidade; o "Recado", assinado por Mendonça Ferreira, secção mais tarde recuperada para as páginas do suplemento de domingo; a página "Isto é Espectáculo" prolonga a tradição de Record em abordar os campos do teatro, do cinema, da música ou da televisão; e a rubrica "Que é feito de si?", da autoria de Henrique Parreirão, torna-se numa preciosa 'enciclopédia' sobre as grandes figuras do nosso desporto. Com a década a terminar, surge o "Revendo a Semana", assinado por João Marcelino, crónica de opinião que vai perdurar durante largos anos.

Por outro lado, o jornal continua a aprimorar a forma de acompanhamento dos jogos, cria um novo prémio, intitulado “Golos que valem pontos", retoma a aposta no cartoonismo, lançando um jovem talento, António Nunes, e investe decididamente nos destacáveis e suplementos. Em 12 de Abril de 1983, por exemplo, é publicado um suplemento de 4 páginas sobre o "Portugal Open", em ténis; em Maio e Junho do mesmo ano saem destacáveis sobre o Atlético, a CUF/Quimigal e o Casa Pia.

As páginas de Record nesta década são ainda enriquecidas por dois registos notáveis: primeiro, uma entrevista a Diego Maradona, publicada na edição de 28 de Novembro de 1982, por ocasião dos 33 anos do jornal. Costa Santos foi a Barcelona entrevistar o então melhor jogador do mundo, que em cinco páginas conta tudo para os leitores de Record; depois, a odisseia do redactor Mendes Nunes no Paris-Dakar, em 1984, então na 6ª edição. Record é o único jornal português a acompanhar a aventura, dando-lhe duas páginas por edição, mas em meados de Janeiro os repórteres perdem-se nas areias africanas, e a cobertura da prova por Record fica em causa durante alguns dias. Na edição de 15 de Janeiro, porém, já Mendes Nunes respira de alívio: "Já estamos finalmente livres de perigo/Não vão para a picada/eles querem matá-los!" E, no texto, conta toda a aventura.

OS 100 MIL!

Num período de dez anos, Record começou por atingir os 50 mil exemplares (Agosto de 1980) e ultrapassou a barreira mítica dos 100 mil (Julho de 1988). Foi, pois, uma época de crescimento. Imparável, apesar de nesta década terem surgido novos concorrentes, como a "Gazeta dos Desportos" e o "Off-Side". Em 7 de Junho de 1981 já eram publicados os resultados do primeiro estudo sobre a audiência do jornal: Record tinha então dois milhões de leitores por mês, era o segundo jornal desportivo do País e o sexto em tiragem entre todos os jornais portugueses. Diariamente, era lido por 50 mil pessoas.

Em 1982, é oferecido aos leitores, juntamente com o número de aniversário, um fac-símile do primeiro número do jornal. Ainda nesta década, são abertas delegações no Porto e em Coimbra.

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