Do desenho no papel ao traço do computador

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O JORNALISMO evoluiu, nos últimos anos, no sentido de uma informação cada vez mais lata e rigorosa, baseada não apenas nas declarações, nas análises e no contar das histórias, mas também nos números, factos irrefutáveis, capazes de conter uma quantidade de informação às vezes incalculável. A década de 90 viu assim afirmar-se o tratamento estatísticos de dados e situações, como complemento de todos os outros géneros jornalísticos. Também nesta área Record teve um papel inovador.

Na década de 50 havia toda uma outra concepção da página, e é por isso que este campo jornalístico era pouco explorado. Numa edição de 1954 encontramos um perfil da maratona de Berna, em traços muito simples, aparentemente desenhados à mão, numa tentativa de mostrar, por uma imagem, os altos e baixos do circuito. Mas não passou de uma tentativa tímida, à qual se regressou ocasionalmente quando de edições da Volta a Portugal em bicicleta. Na década de 70 já há mais números: procura-se, numa página de rescaldo das jornadas do Campeonato Nacional da I Divisão, dar o maior número possível de informação sobre as equipas participantes: as classificações, os pontos dos jogadores, a sua classificação por posições, os goleadores, a equipa da semana.

Só a partir de meados da década de 80 é que começa a acentuar-se a preocupação com o tratamento estatístico da informação. Em Julho de 1988, um estudo de Eduardo Saraiva intitulado "Tendências atacantes no futebol português" já comporta diversos quadros (Zonas de Finalização, Evolução do Marcador, Resumo das Acções Defensivas, etc.) e inclusivamente alguns gráficos. Na década de 90, com a colaboração regular de Alberto R. Soares, o jornal passa a ter, todas as semanas, uma página de estatísticas sobre o campeonato nacional. Com o aparecimento da rubrica "Dossier", o estudo estatístico institucionaliza-se e ganha, inclusivamente, beleza gráfica quando, a partir de meados da década de 90, introduz a infografia. Record passa então a apresentar páginas de um grafismo diferente, saindo da tradicional solução texto/fotografia.

JOAQUIM SEMEANO

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