Jardel, o açambarcador

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AS ÚLTIMAS três edições da Bota de Ouro foram açambarcadas, é o termo, por Mário Jardel, tal a forma categórica como se superiorizou aos seus principais concorrentes na arte de marcar golos, a expressão máxima deste fenómeno de multidões que constitui o futebol. E pelo "andar da carruagem", a sua colecção de Botas de Ouro não vai ficar por aqui...

De notar a curiosidade de significativa percentagem dos golos marcados por Jardel terem-no sido de cabeça, a sua maior especialidade. É certo que Jardel evoluiu de forma notória o jogo de pés, mas continua a ser o jogo de cabeça o mais temido pelas defesas adversárias. "Cabeça de Ouro" era uma designação mais adequada à sua condição de goleador nato.

Mas se desde a época 1995/96 a Bota de Ouro tem sido monopólio de Jardel, antes disso houve cinco vencedores diferentes. Três africanos e dois portugueses. O primeiro a vencer o troféu foi o nigeriano Ricky, ao serviço do Boavista, com a bela "performance" de 30 golos, proeza só igualada em 96/97 e superada em 98/99 por Mário Jardel com 36 golos, que lhe garantiram outra Bota de Ouro, promovida pelo “France Football”, como melhor marcador de todos os campeonatos europeus.

As duas primeiras edições seriam dirimidas renhidamente entre Ricky e Cadete, com o português a vencer em 92/93. Yekini e Hassan ganhariam o troféu nas edições seguintes, curiosamente com o mesmo número de golos, ao serviço do V. Setúbal e do Farense, respectivamente, factor que valoriza a proeza alcançada por ambos.

Na época de 1995/96 seria a vez de outro português conquistar a Bota de Ouro, Domingos, naquela que foi a sua época de maior esplendor nas Antas. Seria, também, a época de ouro de João Pinto, na Luz, segundo classificado, com 18 golos, um patamar que ultrapassa a exigência de Heynckes para esta época (15 golos).

De registar que em três edições do troféu, a Bota de Bronze foi conquistada por dois jogadores, que obtiveram igual número de golos: 91/92 [Chiquinho Carlos (Sp. Braga) e Ziad (V. Guimarães)], 95/96 [Constantino (Leça) e Edinho (V. Guimarães)] e 98/99 [Demétrios (Campomaiorense) e Silva (Sp. Braga)].

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