Valter Costa: «’Record’ é meu irmão»
HÁ 50 anos, no preciso dia 26 de Novembro de 1949, saía Record para as bancas e nascia, no Barreiro, um menino que haveria de se tornar conhecido no mundo do futebol por Valter Costa. Ele tem a idade de Record. "A princípio, não liguei muita importância ao facto de ter nascido no mesmo dia em que o jornal veio, pela primeira vez, para a rua. Mas depois, ao aperceber-me de tal, passei a ver o jornal como um autêntico irmão, tendo seguido com natural satisfação a sua evolução, conseguida após uns períodos mais difíceis. Felizmente, hoje em dia o Record é uma autêntica referência na Imprensa portuguesa."
Valter, por seu turno, tornou-se conhecido sobretudo pela sua passagem pelo Sporting Clube de Portugal, onde se revelou um médio fogoso, capaz de ganhar um espaço nas grandes equipas. Em Alvalade não conseguiu ser campeão nacional, mas a sua carreira regista ainda passagens pelo Barreirense, Marítimo e Portimonense, entre outros. É do clube do Barreiro que guarda, agora, as memórias dos maiores triunfos: "Joguei no Barreirense nada menos que oito temporadas, tendo começado aos 15 anos. Daí saí para o Sporting.
No Barreirense ainda fui campeão nacional da II Divisão, integrei uma equipa que venceu a Taça Ribeiro dos Reis, e disputei uma prova europeia, mas precisamente a extinta Taça das Feiras, onde o Barreirense foi eliminado pelo Dínamo de Zagreb. Eram outros, os tempos do Barreirense, quando o clube contava com figuras como o Manuel Bento, o Luís Mira, o Serafim, o Bandeira e outros, tendo como treinador o Manuel Oliveira." Assim, e enquanto, paralelamente, Record crescia e se tornava numa produto em afirmação crescente no mercado, Valter afirmava-se no futebol português.
Ainda com a camisola do Barreirense foi chamado à selecção nacional, para um Portugal-Inglaterra, no Estádio da Luz, e que terminou empatado sem golos. "Entrei a substituir o Toni e julgo que não deixei ficar mal quem em mim confiou. Também joguei na selecção nacional B, e depois ainda voltei a ser várias vezes convocado para a melhor equipa das quinas, mas fiquei sempre no banco."
Em Alvalade, os ventos da fortuna não estiveram com ele. "O Sporting era um dos meus grandes amores, e por isso muito desejava se campeão nesse grande clube, mas nunca aconteceu. Mesmo com jogadores como o Damas, o malogrado Yazalde, Laranjeira, Dinis e outros, nada se ganhou, pois o Benfica dominava, então, os acontecimentos."
Depois de três épocas em Alvalade, mais três no Marítimo, ao lado de figuras como Fernando Santos e Rui Lopes, passando da "pérola do Atlântico" para o Algarve, onde jogou no Portimonense, ao lado de Carlos Alhinho e Delgado. Seguiram-se o Amora, o Estrela da Amadora e de novo o Barreirense, onde terminou a sua carreira de futebolista. Iniciou então a carreira de treinador, orientando sucessivamente as equipas do Estrela de Vendas Novas, Desportivo de Beja e Alcains, clube este onde permaneceu sete temporadas.
Levou a equipa até à II Divisão B, sendo depois despromovido. Esta época regressou ao comando do Alcains: "Trata-se de um projecto que me entusiasma, elaborado por um clube de gente honesta e de uma terra que me fascina". O seu filho, Ricardo Costa, já joga futebol, no Canelas. Clube que, curiosamente, foi destinado pelo sorteio a defrontar o Sporting na Taça de Portugal. E ficou, assim, Valter Costa entre diversos amores...
CARLOS ARSÉNIO