Bernardo Silva: O menino rebelde que fazia voar ténis

Carlos Cruchinho foi professor do jogador e recorda o rapaz que “fazia o seu disparate”

• Foto: Pedro Simões 

No colégio Valsassina, além das crianças, também vários professores e funcionários fizeram questão de voltar a ver Bernardo Silva. As demonstrações de carinho, de parte a parte, mostram que foi um aluno que deixou saudades. Sempre "muito educado", apesar de não deixar de ser, por vezes, um pouco "rebelde". E se pensa que as aulas de Educação Física eram aquelas pelas quais mais ansiava, engana-se. Carlos Cruchinho foi professor do internacional português e lembra as dificuldades pelas quais passou.

"O Bernardo foi meu aluno do 7º ao 9º ano, altura em que já treinava no Benfica e, por isso, era um atleta acima da média. E como atleta acima da média é normal que isto lhe dissesse pouco. Era um miúdo com muito jeito, muita habilidade, mas as aulas não o motivavam. Era difícil lidar com ele, pois estava muito acima dos outros. Aqui tinha de jogar com meninas e percebe-se que a exigência era reduzida", lembrou o docente, assinalando, contudo, que não dava "problemas de maior".

Recordado como "um miúdo simpático", Cruchinho não esconde que era também muito popular entre os mais velhos... nem sempre pelos melhores motivos.

"Toda a gente falava nele, gostava de fazer o seu disparate, mas não era arrogante, nem mal-educado. A sua genialidade desportiva fazia com que tivesse alguns devaneios, mas sem dúvida que deixou muitas saudades."

E há momentos que não se esquecem. "O meu problema com ele, por mais estranho que possa parecer, era apertar-lhe os ténis. Dava um pontapé na bola e saltava-lhe o sapato. Eu obrigava toda a gente, até por uma questão de segurança, a fazê-lo, mas ele tinha de meter os atacadores dentro dos sapatos. Era a minha grande guerra e gostava de me contrariar", lembrou com um grande sorriso.

Mário Cília, também professor de Educação Física, atesta tudo o que o colega refere sobre Bernardo Silva. Já Vasco Uva era diferente.

"Um rapaz muito calmo, discreto. Não me recordo que alguma vez tenha dado algum tipo de preocupação", recorda o docente.

Râguebi como alternativa

Vasco Uva também regressou ao Valsassina e, nesta viagem no tempo, viveu uma "experiência fantástica". "Já não vinha cá há alguns anos. Ser recebido desta forma é uma sensação muito boa. Faz-me lembrar os tempos em que vinham cá pessoas importantes e também queria um autógrafo. É importante transmitir aos alunos a mensagem de que é possível conciliar a vida académica com a profissional ", frisou o antigo capitão da Seleção, manifestando um desejo: "Agora que temos condições, faz o sentido termos uma escolinha de râguebi, para que possam sair daqui mais Vascos’s Uva. Se não tiverem jeito para o futebol – como eu – existe um desporto com lugar para todos," referiu perante Luís Claro, docente e treinador de râguebi.

Por Fábio Aguiar e Valter Marques
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