Preocupação com missões futuras
José Lourenço frisa que desporto paralímpico nunca esteve tão atrativo mas falta renovação
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Bons tempos os que se vivem e dores de cabeça só de pensar nos que virão: o presidente do Comité Paralímpico de Portugal José Manuel Lourenço fala de uma situação atual de paradoxo. "Temos as melhores condições de sempre, as que nunca tivemos, uma preparação olímpica como nunca foi possível. Estão concretizadas igualdades em termos de bolsas, de prémios desportivos, uma alteração do paradigma político que marca uma época", começa por explicar, em conversa com Record. "Já a nível de desenvolvimento desportivo estamos a ficar para trás. Temos um problema grave de renovação. Escasseia o surgimento de novos valores", acrescenta.
E este é um fenómeno que o dirigente assume ter dificuldades em decifrar: "O facto de não termos procura não significa que não tenhamos jovens com deficiência, infelizmente. Eles continuam a existir. Não chegam até nós por razões sociológicas, penso que não existirá ainda a cultura de chamar as pessoas com deficiências para o desporto, na verdade não consigo explicar... Mas é necessário chamar à atenção para isto, atrair as pessoas com deficiências para a importância da prática desportiva."
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Todavia, há esperança de que se atravesse somente um processo de ajustamento. "Até há cerca sete anos, havia uma governação das modalidades por parte FPDD [Federação portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência]. Hoje, cada uma tem a sua respectiva federação, os respetivos clubes… Acredito que possa ser também um período de adaptação", nota José Manuel Lourenço.
Em Tóquio para honrar o bom nome
A atipicidade deste Jogos de Tóquio, de 23 de agosto a 5 de setembro, é um adjetivo que não foge à conversa com o presidente do Comité Paralímpico. "Esperamos, naturalmente, que este contexto não mais se repita, que a pandemia seja erradicada. Não existe público, muitas regras... e tudo interfere com o estado de espírito de todos os agentes desportivos, não só atletas", entende. Ainda assim, não deixa de reconhecer que um português sonha sempre alto: "A expectativa é termos uma participação digna. Há muita esperança em agarrar o melhor possível, em prestigiar o país como sempre. Acredito que iremos sair destes Jogos com um sentimento de dever cumprido. Lógico que existem sempre aspirações, mas não vou prometer medalhas. Estamos convencidos de que vão dar o melhor . Também é certo que, olhando ao histórico, pensar-se-á sempre em medalhas."