Academia João Cardiga: equitação para todos

É uma referência nacional da equitação adaptada que nasceu do sonho de João Cardiga. “Era um terreno abandonado...”

• Foto: Fernando Ferreira

No alto de uma colina em Barcarena, nos arredores de Lisboa, ergue-se a Academia João Cardiga. Bem ao fundo avista-se a ‘selva’ de betão da Linha de Sintra, mas dentro dos muros do centro hípico é a paz quem mais ordena. Ao mesmo tempo que se prepara um churrasco para o almoço, cães, cavalos, pais, filhos e atletas convivem em perfeita harmonia. O mote do espaço não foi criado ao acaso: ‘equitação para todos’.

"Isto foi um sonho que começou a 13 de maio de 1992", conta João Cardiga, um dos fundadores do espaço e o grande mentor da Academia. "Deixei uma empresa de transportes fundada pelo meu pai depois de uma chatice com os sócios. Nós tínhamos um terreno abandonado e pegámos nisto com enxadas e areias e conseguimos fazer uma amostra de picadeiro. Começámos com dois cavalos e ao fim de seis meses eu tinha 30 cavalos e 500 alunos", conta o fundador.

A visionária Maria de Lurdes

Mas para o sucesso da Academia, o contributo de Lurdes Cardiga, mulher de João, foi essencial. Enquanto o marido está ligado ao ensino, a diretora do centro hípico foi a principal responsável pelo crescimento do espaço. "Foi sempre ele que quis trabalhar nesta área e foi ele que abriu este centro hípico, mas não podia deixar de ser influenciada. Acabei por me apaixonar por este potencial que existe em torno do cavalo. Temos 470 sócios, dos quais 110 têm deficiências motoras ou cognitivas", explica Maria de Lurdes Cardiga.

"É gratificante criar um projeto que é maior do que eu e do que todos nós que trabalhamos aqui. Acolhemos a pessoa tal como ela é, sem a discriminar e à volta de um animal que nos ensina a nós que não se discrimina ninguém. Tem uma importância enorme em muitas pessoas. As pessoas ficam felizes e gratas e isso é muito gratificante", sublinha. Do mesmo sentimento partilha o marido, que destaca a importância da aceitação de uma limitação por parte da pessoa com deficiência. "Assim que comecei a dar aulas apareceram logo pessoas com deficiência. É muito gratificante ter pessoas com limitações e conseguir inseri-las no meio de pessoas ditas normais. É uma vitória para a pessoa e para nós. É importante conseguir que a pessoa se sinta bem da forma como vive. Quando isso acontece é fantástico. É o brilho nos olhos, são as lágrimas a cair..."

Amor pelos cavalos passou para o filho

João Pedro Cardiga, de 33 anos, passa grande parte do tempo no picadeiro. É filho de Maria de Lurdes e de João Cardiga e foi, naturalmente, influenciado pelos pais. "Foi uma influência fácil e positiva", conta o atleta e treinador profissional desde 2007. João Pedro acabou por ser testemunha da evolução da Academia. "Sinto muito orgulho neste espaço. Não era o que é agora. Era rústica e agora é uma academia moderna", conta o treinador, que segundo a mãe, é um dos responsáveis pela modernização da Academia. *

Criou touro bravo a biberão

Foi a paixão de João Cardiga que acabou por despoletar a criação da Academia. Mas o amor pelos animais já vem desde pequeno. "Montei pela primeira vez tinha eu seis anos. Eu vivia numa casa agrícola em Porto Salvo, uma terra de gente que vivia da terra e da agricultura. Daí veio o meu gosto pelos cavalos e pelos animais. Com 10 anos criei um touro bravo a biberão. Foi uma coisa fora do comum", conta o mentor do projeto que tem na Academia o seu trabalho... e a sua casa. "Nós vivemos cá. A quinta está a ser transformada a pouco e pouco, tudo para trabalho com cavalos, mas ainda não está como nós sonhamos. Somos um casal a trabalhar e a viver junto 365 dias por ano. Às vezes não é fácil!", conta João Cardiga entre sorrisos, concluindo. "Conseguimos fazer um trabalho esplêndido."

Por Rafael Godinho
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