Afonso Costa: «Em Setúbal só escolhia o remo»

Principal dupla do remo português é constituída por dois elementos que têm 13 anos a separá-los

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RECORD - Como é que surgiu o remo na sua carreira?

AFONSO COSTA – Comecei com 9 anos no Clube Naval Setubalense e ainda hoje remo pelo mesmo clube. Gostei desde miúdo de andar no remo e continuo ligado ao clube.

R - Como se deu a oportunidade de ingressar no remo? Foi uma decisão familiar?

AC – Não, não foi tanto devido à família. Sou de Setúbal e na cidade é normal ir para este tipo de desportos. Setúbal está muito ligada ao mar e a desportos marítimos; logo, só podia escolher o remo.

R - Sendo você de Setúbal, acabou por ir mais tarde para Coimbra, onde completou os estudos e continuou no remo. Numa altura em que era tão jovem, a mudança foi complicada?

AC – Foi positiva. Quando somos jovens, não existe tanto esse problema. Estamos habituados a experimentar novas coisas e adaptamo-nos bem. Comigo foi assim. Fui para Coimbra maioritariamente por causa do remo. Mais tarde escolhi também a cidade para estudar. Mas deveu-se ao remo e adaptei-me bem. Lá está situado o Centro Nacional de Alto Rendimento e eu estava no centro, que era o mais importante. Essa era a única forma de ter bons resultados no remo.

R - Desde cedo, estava bem ciente das metas para a sua carreira?

AC – Desde novo, queria ir aos Jogos Olímpicos e continuo a fazer tudo sempre a pensar nessa perspetiva. Para já, tem corrido bem e espero que continue assim.

R - Em relação aos Jogos Olímpicos, Portugal não esteve presente a nível do remo no Rio’2016. Sente pressão acrescida disso?

AC – Não sinto pressão por esse facto. Aliás, no remo tenho de sentir sempre a pressão de cada prova, não só dos Jogos. É uma pressão saudável. São ciclos...

R - Em 2012, quando o remo português esteve pela última vez nos Jogos, ainda era adolescente [tinha 16 anos]. Como viu essa participação?

AC – Lembro-me que era muito novo aí, mas vivia muito as provas. Recordo a forma como torcia pelo Pedro Fraga, que era um ídolo para mim, e agora é meu colega.

R - E continua a vê-lo dessa forma? Como foi quando o conheceu pela primeira vez?

AC – Continua a ser um ídolo. A primeira vez em que nos encontrámos foi muito estranha e especial para mim. Já falámos tantas vezes sobre isso, mas acaba por haver sempre algum nervosismo. Leva a grande responsabilidade.

R - O Pedro assume que, para ele, você é um dos atletas mais capacitados, senão mesmo o mais capacitado, no remo português. Como reage a essa afirmação?

AC – Ele também diz isso entre nós. Sendo modesto, eu acho que uma pessoa tem de acreditar no seu valor. Eu sei das minhas capacidades e onde me enquadro a nível nacional atualmente.

R - Como surgiu a chance de fazer dupla com o Pedro Fraga?

AC – Costumamos fazer vários testes no Centro de Alto Rendimento e a Federação apostou nos dois melhores. De ano para ano, temos melhorado.

R - Este ano, vocês já estiveram à porta da qualificação olímpica. Viu isso como um dissabor?

AC – Não digo que tenha sido devastador… mas ficou a noção que conseguíamos fazer mais. Agora são só sete vagas e não 11 como era antes. Se perguntar se tínhamos velocidade para chegar à qualificação olímpica, digo que sim. Mas a categoria está tão competitiva...

R - Enquanto está no remo, também está numa pós-graduação em Ecoturismo na Universidade de Coimbra. É fácil conciliar?

AC – É mesmo muito complicado, mas tudo é conciliável.

R - Em alguma fase consegue ter uma rotina diária normal?

AC – Há dias em que acordo muito cedo. Saio de Coimbra para chegar a Montemor para me treinar. Às vezes, tenho de ir dar aulas de remo às 10 horas e eu e o Pedro ainda fazemos um treino antes.

R - Você fez grande parte do seu percurso ao lado do seu irmão Dinis. Como viveu estes anos?

AC – Apoiamo-nos um ao outro sempre e puxamos um pelo outro em todos os sentidos. Beneficiamos disso e partilhamos os mesmos objetivos, quer em termos académicos, ou na vida pessoal ou na prática do remo.

R - E guarda alguma história marcante com ele?

AC – Talvez o que nos marcou mais foi a época 2017/18. Tivemos uma temporada excelente.

R - E qual é a conquista que deseja a todo o custo?

AC – Neste momento, não penso em vitórias. Só em ir aos Jogos Olímpicos. Isso deixou de ser um sonho, mas sim um objetivo. Mas é algo alcançável. Uma meta que queria para mim desde sempre e onde sei que tenho de chegar.

Por Filipe Balreira
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