Ana Catarina Monteiro: «É um ciclo de comer, dormir e nadar»

Nadadora do Clube Fluvial Vilacondense, apurada para Tóquio'2020, fala das rotinas e da superação

• Foto: FP Natação

RECORD - Quando é que começou a nadar?
ANA CATARINA MONTEIRO – Entrei para a escola de natação aos dois anos. Aos sete recebi um convite para passar para a equipa de segurança e gostei da ideia. Quando era mais nova praticava muitos desportos. O que mais gostei foi sempre a natação e o ballet, mas passei pela ginástica, pelo vólei, escuteiros, música… tinha o dia bastante preenchido. Acabei por optar pela natação. O que mais gosto na natação é dos treinos, da superação diária, foi sempre o que me motivou. Aos poucos os resultados foram aparecendo.

R - Quantas vezes treina por semana?
ACM – Treino 10 a 12 vezes.

R - Quantas horas?
ACM – Umas 2h30 na água. A média são os dez treinos semanais. Quando temos estágios é que fazemos 11 ou 12. Mas entre 9 e 11 treinos é aquilo que é a rotina.

R - E qual é a sua rotina diária?
ACM – Acordo pelas 6 da manhã. Às 6h40 estou no ginásio, onde fico cerca de uma hora. Às 8 entro na água e treino até às 10h30/11h00. Depois tenho uma pausa. Aproveito para fazer alguma coisa da faculdade ou fisioterapia por causa da operação ao ombro. Pelas 16h00 estou na piscina, para fazer um treino funcional. Por volta das 17h00 entro na água até às 19h. É um ciclo de comer, dormir e nadar.

R - São muitas horas dentro de água. Foi fácil conciliar a natação com os estudos?
ACM – Até ao 12º ano foi. A escola, a piscina e a minha casa estavam muito perto. A escola era a minha prioridade e a natação era o meu divertimento. Tudo parecia fácil de conciliar. Às vezes acabava a semana estourada, mas dava para tudo, como ir a uma festa de vez em quando e estar com os amigos. No primeiro ano da faculdade foi complicado. Sou de Vila do Conde e fui estudar para o Porto. A viagem de metro era cerca de 1h e acabou por gerar uma confusão de horários. Estava habituada a ter boas notas no secundário e tentei fazer tudo ao mesmo tempo e não deu. E pensei que para ser nadadora tinha de ser agora e não com 40 anos. Com o apoio e compreensão dos meus pais, decidi que era altura de apostar na natação sem me desleixar nos estudos. Troquei os focos. Geri as coisas em função da natação. Se fosse um semestre para fazer cinco cadeiras, tentava as cinco, se fosse três eram três… passei a fazer o curso em regime parcial. Neste momento estou quase a terminar o curso. Falta a tese e mais duas ou três cadeiras do mestrado integrado.

R - Porquê a Bioengenharia?
ACM – Essa é uma pergunta complexa. No 12º ano não sabia o que seguir. Sempre gostei da biologia e da parte da investigação. Falei disto às pessoas e disseram-me que Bioengenharia é o curso certo. Se eu escolhi o curso certo? Não sei. Se calhar havia opções diferentes já que a parte da engenharia diz-me muito pouco. Estou neste momento a seguir o ramo da Biotecnologia, que é o que me imaginava a fazer na altura. Gostava de seguir a vertente da medicina desportiva. É nesse sentido que me estou a direcionar. *

"Medalha nos Jogos? Um passo de cada vez..."

R - Já estabeleceu objetivos para os Jogos?
ACM – Os objetivos passam sempre pelos mesmos que tenho nas grandes competições, que é chegar lá na melhor forma possível, o que significa nadar no recorde nacional. Pode dar para lutar pela meia-final. No último Campeonato do Mundo dava para lutar pela final. Só posso controlar aquilo que eu faço e o meu objetivo é chegar na melhor forma e bater o recorde nacional.

R - É inevitável perguntar isto: e uma medalha?
ACM – Nós ainda estamos num nível diferente. Tem de ser um passo de cada vez. O grande objetivo da Federação passa por atingir uma final dos Jogos Olímpicos. Somos vários atletas que a podem conseguir. As medalhas são um patamar acima. É importante perceber a nossa realidade. Não vale a pena dar um passo maior do que a perna.

R - Quais são as suas grandes referências da natação?
ACM – A minha grande referência é a Mireia Belmonte, campeã olímpica dos 200 m mariposa.

R - Qual é a sensação de competir contra ela?
ACM – Agora é diferente. Olho para ela lado a lado. Quando me via ao lado dela nas primeiras vezes parecia um sonho tornado realidade. É o momento em que os ídolos passam a rivais.

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