Ana Catarina Monteiro: «Tudo valeu a pena quando toquei na parede»

Nadadora do Clube Fluvial Vilacondense, de 26 anos, é uma das atletas já apuradas para Tóquio’2020

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A nadadora do Clube Fluvial Vilacondense, de 26 anos, é uma das atletas já apuradas para Tóquio’2020. Integra o programa de Bolsas de Educação Jogos Santa Casa em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, no âmbito da promoção das carreiras duais

RECORD - Conseguiu recentemente o apuramento para os Jogos. É um objetivo cumprido?

ANA CATARINA MONTEIRO – Era algo que já vinha de trás. Em 2016 foi uma luta constante pelo apuramento olímpico. Fiquei muito perto dos critérios que eram exigidos pela Federação, mas não foi suficiente. Depois disso fui sujeita a uma cirurgia ao ombro. Desde 2017 que estou 200 por cento focada em atingir o mínimo olímpico. Atingi na primeira oportunidade e foi um sonho alcançado que me permite trabalhar os Jogos com mais à-vontade e confiança.

R - Qual foi a sensação de olhar para o cronómetro e ver que tinha conseguido o bilhete para Tóquio?
ACM – Foi o alcançar de um sonho, não consigo descrever. Uns minutos antes tinha visto uma das minhas melhores amigas, a Diana Durães, a alcançar esse mesmo sonho, o que me deu uma confiança extra. No momento em que toquei na parede… é o momento em que tudo valeu a pena. Todos os momentos baixos, todos os sacrifícios.

R - A ausência nos Jogos do Rio de Janeiro deu-lhe uma motivação extra para conseguir este apuramento?
ACM – O ano dos Jogos do Rio foi um ano bastante complicado. Para além de ter estado ali a lutar pelo apuramento, foi um ano em que uma lesão antiga que eu tinha atingiu o limite. Uma lesão no ombro direito. Fui indicada para cirurgia uns sete meses antes dos Jogos. A questão era se eu estivesse apurada ia tentar suportar a situação e depois tratava-me, com a ideia de que os Jogos estavam mais perto do que realmente estavam. O facto de ter falhado os Jogos deu-me uma motivação muito forte. Foi um momento importante e mudei a minha mentalidade. A cirurgia permitiu-me começar a treinar sem dor. Dei um valor muito grande a ter alcançado estes Jogos.

Apoio à nadadora
R - Estava a treinar com dores?
ACM –Tenho uma lesão no ombro desde 2006 que é normal em nadadores. O ombro direito esteve sempre controlado mas as coisas pioraram e tive de treinar com medicação para poder aguentar os treinos. A cirurgia já estava decidido que ia acontecer e até lá a opção foi treinar, tentado diminuir a dor para tentar chegar aos Jogos e depois resolver a situação.

R - Essa ausência nos Jogos, a juntar à lesão no ombro deitou-a abaixo psicologicamente?
ACM – Foi um ano muito duro. Mas, em contrapartida, o regresso foi muito mais forte graças à queda que dei. Foi um ano complicado para mim, para a minha família, treinador. Mas a recuperação correu bem. Parecia tudo mais fácil a partir dali. Já tudo tinha corrido tão mal... foi como um trampolim de forças!

R - Esse trampolim acabou por se traduzir no melhor momento da sua carreira?
ACM – Sem dúvida nenhuma que os meus melhores resultados vieram depois disso. 2017 foi um ano de transição e consolidação, mas em 2018 foi o ano em que consegui obter os melhores resultados.

R - Conseguiu um sexto lugar nos 200 metros mariposa nos Mundiais da China. Foi o momento mais alto da carreira?
ACM – O ponto mais alto foi sem dúvida a obtenção dos mínimos para os Jogos porque era algo que eu trabalhei muito. As épocas 2017/18 e 2018/19 tiveram muitos pontos altos, mas o momento em que consegui chegar aos Jogos é sem dúvida o mais alto. É o momento pelo qual sonhei e trabalhei. Há oito anos olhava para os Jogos como um sonho e passou a ser um objetivo. Naqueles dois minutos passou a ser um objetivo cumprido. Mas a China marcou-me pela positiva. Baixei o recorde nacional em dois segundos numa prova de 200 metros. Não é expectável numa prova num Campeonato do Mundo.

R - Tem em vista bater mais um recorde nacional?
ACM – O meu trabalho é focado nos 200 m mariposa, mas o recorde nacional dos 100 m mariposa pode estar alcançável, especialmente em piscina de 50 [metros]. O meu foco é os 200 metros, mas os 100 podem fazer parte do processo. Estou a cerca de meio segundo do recorde nacional em piscina de 50 m e acredito que o recorde nacional possa sair.

Ana Catarina com o treinador Fábio Pereira
"O Fábio é a pessoa certa neste momento"

R - Qual é a importância do seu treinador?
ACM – A relação atleta-treinador é a base dos resultados. Se a relação não for boa é difícil chegar ao sucesso. Cada momento da carreira é marcado por diferentes posições do treinador. O que é um bom técnico para um atleta juvenil, não é necessariamente um bom treinador para o atleta sénior. Eu tive muita sorte nisso. O professor Tonas [António Paulo Vasconcelos] foi fundamental na minha formação. Foi a pessoa certa para me fazer chegar onde cheguei. Neste momento o Fábio Pereira é a pessoa certa para me levar a patamares a que nunca pensei chegar.

R - E a alimentação?
ACM - Sou muito gulosa. Tento manter um equilíbrio físico e mental. Faço as coisas direitinhas durante a semana nos treinos e depois tenho um momento para estar mais à vontade. Há um controlo que não é o mesmo ao longo do ano. A natação não é um desporto em que o peso seja uma grande condicionante. É preciso perceber a forma como cada nadador se sente melhor.

Por Rafael Godinho
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