Apoio forte a pensar em Tóquio

Vários atletas olímpicos (e paralímpicos) receberam bolsas de apoio quando se entra na reta final no que diz respeito ao apuramento para os Jogos

• Foto: João Miguel Rodrigues

Pelo sétimo ano consecutiva, os Jogos Santa Casa atribuíram as Bolsas de Educação que levam a uma melhor conciliação dos atletas olímpicos e paralímpicos no que diz respeito aos estudos e ao desporto. Isto acontece numa altura importante da qualificação para os Jogos’2020, acabando por ser um ajuda numa fase crucial. Por isso mesmo, este ano os apoios até acabaram por ser em maior escala [ver factos e números ao lado]. Record esteve presente numa cerimónia que teve lugar no Museu do Oriente, em Lisboa, e serviu para distinguir os atletas que no último ano se notabilizaram a nível académico e da respetiva modalidade.

Na cerimónia, foi mesmo apontada a importância da conciliação correta e equilibrada entre o desporto e uma licenciatura ou mesmo mestrado. "Manteremos o nosso compromisso de cada vez mais apoiarmos o desporto nacional", disse o vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, João Pedro Correia. Além disso, a instituição reforçou que "a relação entre o desporto e a educação constitui-se como um fator de grande relevância para o desenvolvimento da nossa sociedade. Este contexto justifica e incentiva a adoção de medidas de apoio às carreiras duais e, entre estas, considerar o desenvolvimento de um sistema de apoio financeiro para os atletas de alto rendimento na fase académica das carreiras".

Bolsas por modalidade

De resto, o programa de atribuição de Bolsas de Educação acaba por ser pioneiro e chega a evitar que haja uma elevada taxa de abandono precoce do desporto de alto rendimento. Segundo os dados dos Jogos Santa Casa, muitos atletas acabam por desistir de continuar nos estudos devido ao tempo despendido no desporto mas, nos últimos anos, têm regressado à vida académica muito graças aos apoios dos quais têm beneficiado.

Caso especial

Das 54 bolsas que foram distribuídas pela Santa Casa a atletas pertencentes ao Comité Olímpico Português e ao Comité Paralímpico Português, houve destaque para a entrega de uma bolsa de educação solidária.

O apoio foi para o atleta de boxe Farid Walidazeh. O pugilista, de 16 anos, nasceu no Afeganistão, foi salvo na Turquia e chegou como refugiado a Portugal, tendo recebido agora a bolsa de educação solidária. Além disso, Farid já foi condecorado com o Prémio Direitos Humanos, anualmente dado pela Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República.

João Paulo Rebelo elogia projeto

O secretário de Estado da Juventude e do Desporto esteve presente na cerimónia e destacou o crescimento significativo das Bolsas de Educação atribuídas aos diversos atletas. "O número de modalidades tem vindo a aumentar, admito que tenha vindo a aumentar o número de candidaturas. Este ano foram 101 e 54 atribuições de bolsas. Há aqui margem para progressão e campo para continuarmos a ajudar mais atletas", salientou João Paulo Rebelo, durante a cerimónia realizada no Museu do Oriente, em Lisboa.

O secretário de Estado recordou igualmente os "mais de 700 mil euros da iniciativa que têm permitido beneficiar atletas com aproveitamento e sucesso nas carreiras académica e desportiva durante os últimos anos". Além disso, João Paulo Rebelo mostrou-se contente ao perspetivar que haverá "margem para progressão na ajuda aos atletas".

José Manuel Constantino: "Queremos dar um sinal de que há gente preocupada"

Uma das pessoas que tem um papel determinante no que diz respeito à evolução do Comité Olímpico Português (COP) e dos seus atletas é José Manuel Constantino. O presidente do COP falou a Record acerca da importância da atribuição de bolsas por parte dos Jogos Santa Casa, realçando que deve ser alvo tido em conta por muita gente.

"O número de desistências no ensino superior tem diminuído ao longo dos últimos anos graças ao aumento dos apoios sociais aos estudantes. Não sei qual o contributo que as bolsas da Santa Casa, em parceria com o Comité Olímpico e Paralímpico, tiveram nesta diminuição, mas sei que elas têm um objetivo equivalente: permitir que não desistam do desporto de alta competição por causa dos estudos. E permitir que não desistam dos estudos por causa do desporto", assumiu o dirigente, de 69 anos.

Além disso, José Manuel Constantino analisou a importância dos desportistas portugueses, neste caso tanto os atletas olímpicos como os atletas paralímpicos, e a forma como devem ser enaltecidos. "Queremos dar um sinal aos estudantes desportistas e às famílias de que há gente preocupada com os atletas e, acima de tudo, com o facto de essa conciliação entre os estudos e o desporto ser possível. Queremos que eles se preparem para a vida depois do desporto sem terem de abandonar o desporto", deixou bem claro. Ainda assim, o presidente do COP refere que tudo deve ser intercalado: "Há duas condicionantes: o aproveitamento escolar e o desempenho desportivo. Estas bolsas tiveram um efeito pioneiro em relação a um conjunto de outras entidades que têm facilitado a vida dos estudantes-atletas."

Por Filipe Balreira
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

ver exemplo

Ultimas de Fazemos campeões

Teodoro Cândido: «Na cadeira esqueço tudo»

Aos 66 anos, Teodoro não se cansa. Descobriu o desporto adaptado no sofá durante “a vida de reformado”. Depois disso nunca mais parou: andebol, basquetebol, ténis de mesa, vela... e não quer ficar por aqui

Notícias

Copyright © 2020. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.