Bruno Afonso: «Tudo começou por querer dar mergulhos»

O canoísta, de 25 anos, iniciou-se na canoagem devido a uma mera brincadeira de verão

• Foto: Bruno Pires

O canoísta, de 25 anos, iniciou-se na canoagem devido a uma mera brincadeira de verão e, desde aí, nunca mais deixou a modalidade. Mértola e Coimbra servem de inspiração para chegar a Tóquio’2020.

RECORD - Como nasceu a oportunidade de ingressar na canoagem?

BRUNO AFONSO – Eu venho de uma vila pequena no Alentejo, Mértola. Lá, só existem dois clubes desportivos, o clube de futebol e o Clube Náutico de Mértola de Canoagem. Inicialmente, fui jogador de futebol e depois, durante o verão, com o calor, a canoagem era mais apelativa. No verão, os meus amigos tinham o hábito de ir dar mergulhos para o rio, só que a minha mãe não me deixava ir porque considerava perigoso. Nessa altura, existiam turmas de iniciação à canoagem e eu sabia que no final de cada aula o professor deixava sempre dar uns mergulhos. Então, foi assim. Comecei a aprender e nunca mais saí.

R - Como vê a sua evolução?

BA – A minha evolução no desporto está relacionada com a carreira académica. Eu decidi ir estudar para Coimbra, por ser onde está a residência universitária da Seleção Nacional. Comecei a ter melhores prestações na canoagem.

R - A mudança do Alentejo para Coimbra acabou por ser complicada ou fácil?

BA - Eu já estava habituado a viver em Montemor-o-Velho, já que a residência universitária fica lá, a cerca de 30 km de Coimbra. Eu já estava habituado às viagens e ao sítio, pois mesmo nos estágios de cadetes e juniores eu já passava algum tempo em Montemor. Por isso, a adaptação foi normal.

R - Em Coimbra, estuda Engenharia Informática. Foi fácil equilibrar o estudo com a canoagem?

BA – O curso corre-me bem, consigo ter uma boa progressão lá, mas obviamente temos alturas em que é mais difícil conciliar tudo. Sinto a necessidade de aproveitar o lado académico. Gosto de ter o pensamento no lado académico, porque assim alivio o pensamento no desporto.

R - E existem mais apoios?

BA – Sim, penso que cada vez mais há necessidade de criar carreiras duais. Na Universidade de Coimbra, tem havido uma grande evolução nos últimos anos nesse aspeto. O Gabinete de Desporto da Universidade procura constantemente ajudar os atletas-estudantes e vejo evolução na distribuição de bolsas.

R - Teve os melhores resultados em 2015 e 2016, estando agora a lutar por um apuramento olímpico. Pensa muito nisso?

BA – Desde 2016, penso que tenho tido uma evolução bastante boa. Esse ano surpreendeu bastante pela positiva, porque não se esperava resultados tão bons. Em 2015, eu e o meu colega [Marco Apura] de C2 tínhamos ficado em 9º lugar num Europeu de sub-23 e, em sete meses, passámos para um 9º posto num Absoluto de seniores. Houve uma evolução significativa e não estávamos à espera. A partir daí, os bons resultados começaram a aparecer de forma mais constante e penso que estamos num bom caminho para em maio lutarmos pelas vagas olímpicas que restam.

R - Acredita num apuramento olímpico? Como muda os seus treinos nesta fase?

BA – Aumentámos muito a intensidade dos treinos este ano, pois era necessário. A oportunidade de apuramento olímpica já não está tão fácil, mas é natural que acreditamos que tal seja possível. Se não, já não estaria aqui a fazer nada. Vamos dedicar-nos ao máximo nos próximos meses. Vai ter de haver grande sacrifício, mas pensamos na recompensa final, que é chegarmos a Tóquio.

R - No Centro de Alto Rendimento, de que forma aprende com Fernando Pimenta e Emanuel Silva?

BA – Nós convivemos bastante com eles. São grandes referências, vice-campeões olímpicos em Londres’2012, e convivemos diariamente com eles, porque também passam bastante tempo em Montemor. É bom estar com eles, pois podemos ver os seus hábitos e aprendemos muito. Acho até que posso afirmar que somos amigos.

R - E eles dão dicas?

BA – Nós treinamos várias vezes com o Fernando e nem há dicas especiais. Mas só o facto de já estar a treinar com ele, é por si só uma grande motivação. Ele tenta puxar muito por nós nos treinos. Por outro lado, já não treinamos tantas vezes com o Emanuel, mas falamos com ele fora de água. No último Mundial, quando as provas não nos correram tão bem, o Emanuel disse-nos que a vida de atleta era assim e que só tínhamos de levantar a cabeça e pensar no que conseguimos. Pediu para estarmos focados e lutarmos. Não há algo específico que eu guarde, mas penso que vou sempre lembrar-me destes momentos.

Por Filipe Balreira
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