Carina Paim: «Com a ajuda da bolsa terminei o secundário»
Entrevista à atleta que irá competir nos Jogos Paralímpicos de Tóquio
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RECORD - Como ficaram os estudos no meio de tudo isto?
CARINA PAIM – Acabei o secundário este ano. Lá em Mangualde comecei na área das Ciências mas as coisas não correram tão bem. Ainda tentei durante dois anos... Mas quando vim para Lisboa mudei para desporto.
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R - E aí pôde beneficiar do apoio da Santa Casa da Misericórdia, certo?
CP – Sim, quando entrei nesse curso profissional. Com a ajuda das bolsas da Santa Casa consegui finalmente acabar os estudos, o que não foi nada fácil porque nós, atletas, não temos muito tempo para estudar. E como não sou propriamente inteligente [risos]... Mas com este apoio consegui uma ajuda extra, algo que me facilitou e deu outro incentivo, sobretudo pelo facto de não ter muito tempo.
R - Como tem visto o desporto paralímpico em Portugal?
CP - Penso que sou novata para conseguir fazer um balanço, mas pelo que ouço dos meus colegas mais velhos da comitiva percebo que as coisas têm melhorado muito ao longo do tempo. Sei que antes havia uma discrepância muito grande em relação aos atletas olímpicos e acho que as coisas têm vindo a melhorar e estão num bom caminho. Existe muito a preocupação de tentar o igualar o máximo possível com os olímpicos e eu já sinto que isso começa a acontecer.
R - Quem é, para si, a grande figura portuguesa? Quem mais admira?
CP - Temos atletas de grande nível, temos várias referências e motivos de orgulho. A escolher uma figura, digo o Manuel Mendes, da maratona.
R - Porquê?
CP - Porque, para além da maratona não ser algo fácil, ele é uma verdadeira força da natureza. É alguém que vejo como uma daquelas pessoas que, normalmente, supera-se sempre a si próprio, independentemente do obstáculo. Não tenho dúvidas de que não é nada fácil fazer o que ele faz.