Catarina Costa: «É difícil conciliar curso com judo»

Entrevista à judoca portuguesa

• Foto: Diretos reservados

RECORD - Ao mesmo tempo que é profissional de judo, também está a tirar o curso de Medicina. O quão difícil é conciliar as duas vertentes?

CATARINA COSTA – Não estou de momento no sexto ano do curso, o que seria o normal. Estou inscrita em cadeiras de quarto e quinto ano e o objetivo passa por terminar todas as cadeiras do quarto e avançar ainda noutras do quinto ano. Mas não vou mentir. É difícil estar nesta situação. Penso que um dos aspetos que me permite conciliar de melhor forma o curso e o judo é viver em Coimbra. Se eu vivesse em Lisboa, penso que seria muito mais complicado.

R - Porquê?

Coimbra é uma cidade pequena e facilmente consigo sair do hospital, onde tenho muitas aulas, e chegar ao local onde treino em 10 ou 15 minutos. Nasci e vivo em Coimbra. Depois, as condições de treino que tenho no clube também são excelentes e tenho ainda tido um grande apoio do Gabinete de Desporto da Universidade de Coimbra. A entidade renovou os estatutos de trabalhador-estudante, o que me tem ajudado quando tenho que trocar datas de exames e a nível de faltas. E ainda tenho colegas que me compreendem e apoiam desde o primeiro ano.

R - De que forma?

CC – Fornecem-me apontamentos e material de estudo. Os professores também apoiam. O Comité também me tem ajudado através de bolsas, como a da Santa Casa, de forma a financiar o material de estudo.

R - E sente notoriedade na faculdade pelos seus resultados?

CC – Sinto um carinho diferente de alguns professores, que me dão os parabéns. E a faculdade até divulga os meus resultados.

R - Olhando para o judo em Portugal, acha que houve uma evolução constante da modalidade nos últimos anos ou só teve mais impacto pela vitória do Jorge Fonseca no Mundial?

CC – Penso que desde que a Telma Monteiro conquistou a medalha nos Jogos Olímpicos [medalha de bronze no Rio’2016 na categoria -57kg], a modalidade tem vindo a desenvolver-se. Comecei no judo em 2008, mas houve um grande impulso com a conquista da Telma. A própria comunicação social começou a dar mais destaque ao judo aí. Depois, coincidiu com uma nova geração de atletas, na qual eu me incluo. Com a vitória do Jorge Fonseca e o 2º lugar da Barbara Timo, notei que as pessoas deram um relevo maior e até pessoas na rua já nos conhecem.

R - Que objetivos tem delineados para a sua carreira?

CC – Neste momento, estou a preparar-me para uma competição que vou ter daqui a uma semana. No fim do ano, vou ter provas muito importantes, que são os Masters com as 16 melhores atletas de cada categoria. É uma prova que dá bastantes pontos para o apuramento olímpico e será o grande objetivo no fim desta época. E no próximo ano há que concluir a qualificação para o apuramento olímpico e tenho de ser cabeça de série. Só assim poderei disputar os Jogos de uma maneira diferente.

R - E o que espera conseguir fazer nos Jogos Olímpicos?

CC – Digamos que não penso nisso diariamente, nem é uma obsessão, mas todos os passos que dou no meu trabalho diário têm em mente esse grande objetivo que é estar na grande competição. E, uma vez nos Jogos Olímpicos, quero chegar o mais longe possível na prova e tenho consciência de que sendo cabeça de série, acaba por ser mais fácil disputar uma medalha. Portanto, para já, o foco passa por entrar na competição entre as melhores colocadas e depois tenho que estar na melhor forma física possível para ter capacidade de disputar cada combate ao mais alto nível.

R - Passa pela sua cabeça estar ligada ao desporto e à medicina no futuro?

CC – Sim, seria algo que gostaria de fazer. A medicina no desporto seria uma área que leva a que tenha interesse para explorar. Não sei ao certo o que posso vir a fazer, até porque ainda tenho de completar algumas cadeiras e passar por algumas especificidades no curso. Nós temos aulas específicas durante os quarto e quinto anos de licenciatura e, pronto, falta-me experimentar algumas delas com as quais nunca tive contacto. Mas desde o meu primeiro ano que tenho a ideia de terminar o curso e depois especializar-me em Medicina no Desporto ou algo relacionado. Mas ainda é um pouco cedo para decidir o que vou fazer.

Por Filipe Balreira
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