Catarina Costa: «Só quero deixar a minha marca»

Entrevista à judoca portuguesa

• Foto: IJF

Judoca de 23 anos teve um mês em grande ao conquistar a medalha de ouro no Grand Slam de Brasília e só pensa em evoluir até alcançar os Jogos Olímpicos. Isto enquanto frequenta o curso de Medicina.

RECORD - Tem tido uma temporada positiva e acabou de vencer a medalha de ouro no Grand Slam de Brasília. Acha que tem sido o melhor ano da carreira?

CATARINA COSTA – Sim, considero isso mesmo. Acho que tem sido o meu melhor ano até agora. O ano passado já tinha sido muito bom, pois havia conquistado três medalhas no circuito e tinha ficado no quinto lugar no Campeonato do Mundo, mas este ano as medalhas que conquistei já têm um peso diferente. Foram três em Grand Slam e uma num Grand Prix, sendo que uma delas foi de ouro. Portanto, tem corrido melhor. Especificamente sobre Brasília, foi um excelente resultado. Apesar de eu não estar na melhor forma física, porque tenho treinado para outros provas que se avizinham, estava bem fisicamente e preparada a nível mental. Acima de tudo, estava pronta para as adversárias que ia encontrar e o próprio ambiente da competição ajudou. O público lá é muito ativo no pavilhão e a ajuda dos meus colegas e treinadores também proporcionou isso.

R - E que evoluções vê na qualidade do seu judo em relação aos anos anteriores?

CC – Pegando só pelo percurso enquanto sénior, tenho claramente mais experiência. Acima de tudo isso porque, a nível de trabalho, eu continuo na rotina do que já fazia há 3 ou 4 anos. Agora tenho aperfeiçoado pormenores, pois é essencial trabalhar com esse detalhe em competições de tão alto nível e que exigem experiência. E depois passei a ter outras condições de treino. Graças ao apoio do projeto olímpico, passei a ter uma preparação diferente. Permite-me fazer planos de treino mais adequados. Por exemplo, neste momento estou em França a treinar durante quatro dias, mas tenho um treino com uma qualidade que muito dificilmente conseguiria ter em Portugal. Quando comecei nos seniores há dois anos, isso era impensável. Não é a segunda nem terceira vez que venho a Paris e faz a diferença.

R - Sendo que ainda é jovem (tem 23 anos) e começou cedo em alto nível, foi fácil adaptar-se a essa exigência?

CC – Tem sido fácil, mas claro que início foi uma mudança mais abrupta. Eu já faço judo desde os cadetes, ou seja a partir dos 14/15 anos, e habituei-me a fazer provas internacionais e a viajar. Na altura, fazíamos 4/5 provas no estrangeiro por ano. Agora, em quatro meses, faço seis viagens de avião. Mas aprendi a adaptar-me a isso. No fim do ano é que é mais saturado.

R - E como surgiu a oportunidade de praticar judo?

CC – Não diria que desde muito cedo, entrei para aí aos 11 anos... Por acaso é uma história engraçada. O meu primeiro treinador, que ainda é um dos meus treinadores, viu-me no colégio a jogar futebol com os rapazes, pois eu sempre gostei de desporto, viu que tinha algum jeito de coordenação e desafiou-me a experimentar o judo. Eu não conhecia sequer a modalidade, mas aceitei o desafio e, a partir daí, nunca mais parei.

R - Numa altura em que o judo não era tão conhecido...

CC – Sim, já tínhamos algumas referências. Apesar de não praticar, sabia quem eram a Telma Monteiro e o Nuno Delgado, mesmo o meu atual treinador João Neto, só que não tinha o relevo de agora.

R - Via o judo como um ‘hobby’ ou como algo sério?

CC – Digamos que gostava muito de desporto e queria levar aquilo a sério. Nunca pensei onde iria chegar, mas com dois meses de judo fiz a minha primeira competição e gostei bastante. Não era muito boa e depois começou a tornar-se mais sério a partir dos 13 anos, quando fui campeã nacional.

R - Já falou nos exemplos de Telma Monteiro e Nuno Delgado. Há muita gente que a compara à Telma Monteiro pelos seus resultados. Pensa nisso como uma pressão extra ou passa-lhe ao lado?

CC – Não, não penso como uma pressão ou em comparações. Vou ser a próxima Catarina Costa e não a próxima Telma Monteiro. Sigo o exemplo dela e inspiro-me no trabalho que faz, ela tem um vasto palmarés e representa muito bem Portugal, mas como ela temos outros atletas que também me motivam e inspiram. Temos a Joana Ramos, que é uma atleta cotada no circuito, o Jorge Fonseca também alguém que admiro muito e a Patrícia Sampaio, que é uma miúda já com êxito no escalão sénior. Mas não penso em comparações a este nível e trabalho cada dia mais, pois só quero deixar a minha marca.

Por Filipe Balreira
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