Em busca do grande feito de Yokochi

Única presença de Portugal numa final de natação nos Jogos Olímpicos foi há 35 anos. Cinco atletas já pensam em Tóquio’2020

• Foto: FP Natação

A 12 de agosto de 1984, o maratonista Carlos Lopes surpreendeu tudo e todos ao tornar-se o primeiro campeão olímpico português. Mas dez dias antes da prova, o nadador Alexandre Yokochi conseguiu um feito que, 35 anos depois, continua a ser inédito em Portugal: chegar a uma final de natação nos Jogos.

Com sotaque de leste, mas bem identificada com a cultura portuguesa, Tamila Holub é uma das atletas que já garantiram o bilhete para Tóquio, juntamente com Alexis Santos, Gabriel Lopes, Diana Durães e Ana Catarina Monteiro. A atleta do Sp. Braga prepara-se para marcar presença nos Jogos Olímpicos pela segunda vez... com apenas 20 anos.

"Quando acabaram os jogos do Rio pensei: ‘Como é que eu vou aguentar agora quatro anos até Tóquio?’. Tenho o sentimento de que posso fazer melhor. Os outros foram inesperados e agora já sei o que quero", conta a Record a jovem nadadora nascida na Ucrânia. "Tenho objetivos realistas e ambiciosos. Quero um melhor resultado do que nos últimos Jogos. Quero bater a minha marca pessoal. Se conseguir isso, quer dizer que vou melhorar bastante a minha classificação até porque nos Jogos Olímpicos poucos atletas conseguem bater a sua marca pessoal. Uma semifinal seria algo muito positivo e que estou a trabalhar."

Tamila Holub
E por que motivo é tão difícil bater o recorde pessoal? Luís Cameira, treinador de Tamila Holub, explica que as condições interferem muito com a performance dos atletas. "Conta muito por causa do jet lag e do fuso horário. Já se tem competido várias vezes na China e não é fácil. Ou competem logo assim que aterram ou então é terrível. Nós para Tóquio vamos com tempo. Vamos três semanas antes para fazer a adaptação", garante.

Final é "capítulo do sonho"

José Machado é o diretor técnico nacional desde 2013. A Record, explica que as duas meias-finais alcançadas por Alexis Santos nos Jogos Olímpicos de 2016 foram um grande feito. "O objetivo é fazer melhor do que em 2016 e para isso é preciso ter mais nadadores dentro dos 16 primeiros. Temos a expectativa de obter entre duas e três classificações dentro dessa meta. "Mesmo partindo do pressuposto de que esse objetivo possa ser atingido, não queremos passar a ideia de que estamos a ser conservadores nos nossos objetivos. Ter um nadador nas meias-finais no Rio de Janeiro foi algo que ultrapassou um vazio com mais de 30 anos. O nível dos Jogos é tradicionalmente superior ao dos Campeonatos do Mundo. Uma final como objetivo...? estamos no capítulo do sonho. É importante tê-lo mas temos de ter os pés bem assentes na terra", conta.

Saudades dos pastéis de nata

Nascida há 20 anos em Tcherkássi, Tamila veio para Portugal com apenas três anos. "A Ucrânia é um país muito diferente de Portugal. Estou muito agradecida por conhecer ambas as culturas. Os meus pais sempre me ensinaram as culturas da Ucrânia, mas eu vejo-me muito como portuguesa. Depois de Portugal é difícil pensar em outro país como casa", conta a atleta. Tamila prepara agora os Jogos com afinco, depois de uma temporada nos Estados Unidos. "Estive dois anos a estudar biologia e ainda tenho dois anos de bolsa, mas este ano decidi voltar a Portugal e focar-me só nos Jogos. Não dá para fazer as duas coisas. Fiquei também com saudades de Portugal. A coisa que mais queria quando voltei era um pastel de nata", brinca. *

Por Rafael Godinho
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