Filipa Martins: «Habituei-me às lesões antigas»

Aos 23 anos, a atleta do Acro Clube da Maia prepara a sua segunda participação nos Jogos Olímpicos cheia de ambição

Nos Jogos Olímpicos de 2016 obteve a melhor classificação portuguesa de sempre, com um 37.º lugar na geral. A ambição aumentou de lá para cá?

FILIPA MARTINS – Claro que sim. Na altura também não estava muito bem, porque tinha tido uma lesão e sabia que não ia estar no meu melhor. Agora vou dar tudo.

+ Como é que está a correr a preparação?

FM – Para, já está tudo a correr bem. Ainda estamos num período tranquilo e a fazer coisas novas. As provas são só para o ano e, por isso, ainda temos tempo.

+ Teve alguns contratempos com lesões...

FM – Antes dos Jogos do Rio de Janeiro – mais ou menos dois meses antes –, tive uma fratura de stress na tíbia. Depois dos Jogos fui operada e tive a recuperação normal, que é sempre demorada.

+ E agora está a 100 por cento?

FM – Sim... dentro do normal. Acho que nunca estamos a 100 por cento, porque falta muita coisa. Mas está tudo a correr bem.

+ Não foi muito convincente...

FM – Há lesões que já são antigas e que já não dá para ficar a 100 por cento. Mas já me habituei a elas e, por isso, é treinar normal.

+ Falou da lesão que teve antes dos Jogos, a tal fratura de stress na tíbia. Como é que se lida psicologicamente com isto no momento em que se está tão perto de concretizar um sonho?

FM – No início foi frustrante, nenhuma atleta gosta de estar lesionada. Mas tentei fazer todos os possíveis para chegar lá e fazer o meu melhor, mesmo não estando nas melhores condições. Valeu pela experiência. Agora, para a próxima, espero fazer melhor. Eu sei que não foi mau, mas foi pior porque estava em dificuldades.

+ É que mesmo com essas dificuldades conseguiu a melhor classificação portuguesa na ginástica...

FM – Sim. Também A prova também correu bastante bem, dentro dos possíveis. Fiquei contente. Foi uma boa competição.

+ Se em 2016 conseguiu 37.º lugar lesionada, é legítimo afirmar que vai conseguir agora em Tóquio uma classificação melhor?

FM – Isso depende sempre muito da prova em si; se há falhas ou não há falhas. Posso até estar muito bem e por algum motivo acontecer uma falha e muda logo tudo. Não dá prever o que vai acontecer em Tóquio, mas estou esperançosa que corra tudo bem.

+ E qual foi a sensação de representar o seu país no Rio de Janeiro?

FM – Era um objetivo e um sonho que eu tinha desde pequena. Conseguir estar no Rio de Janeiro foi ótimo para mim, foi uma experiência incrível. Tanto na vila [olímpica] como na competição. Não dá para descrever.

+ Quais são os objetivos para Tóquio’2020?

FM – O meu objetivo para Tóquio é dar o meu melhor e tentar uma final ‘all-around’. Era um objetivo que eu já tinha nos Jogos do Rio de Janeiro, mas tive de sacrificar um bocadinho os meus esquemas por causa da lesão. Agora em Tóquio vou tentar chegar à a final.

+ Estes Jogos Olímpicos podem ser os últimos?

FM – Isso só o corpo o dirá, mas eu não queria que fossem.

+ Certamente já viveu grandes momentos na sua carreira. Qual foi o mais alto até agora?

FM – Como é óbvio, foi estar nos Jogos do Rio de Janeiro. Foi o meu momento mais alto. É o evento mais importante. Foi o mais alto, mas também baixo, por causa da lesão. Também a Taça do Mundo, em Anadia, em 2014, onde fiquei em primeira em solo. Foi a primeira vez que fiquei em 1º lugar numa Taça do Mundo.

+ É uma das grandes referências da ginástica portuguesa. Sente que é uma inspiração para as novas gerações?

FM – Sim. Há muitas ginastas que começam a desistir e eu começo a ser das mais velhas. As mais novas gostam de me ver e certamente que um dia vão querer alcançar aquilo que eu já consegui.

+ E pedem-lhe conselhos?

FM – Normalmente não, porque têm vergonha, mas, sempre que posso, gosto de ajudar.

Por Rafael Godinho
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