Francisca Laia: «Canoagem é um estilo de vida»

Canoísta recebeu durante cinco anos o apoio das bolsas Santa Casa enquanto estudava em Coimbra

• Foto: Direitos Reservados

RECORD - Como é que foi parar à canoagem?

FL – O meu pai foi o meu treinador na formação no Clube Desportivo Os Patos. Foi lá que iniciei e ganhei o gosto pela canoagem. Fiz todos os desportos e mais alguns. Fiz atletismo e no desporto escolar fui campeã distrital. Mas foi sempre o meu pai que me transmitiu este gosto pela canoagem e pela água. É um estilo de vida. Vemos um mundo que quase ninguém vê. Toda a gente vê o rio de fora para dentro, mas poucos vêem de dentro para fora. Ganhei um gosto tal que continuei até hoje .

+ Psicologicamente não deve ser fácil para uma criança entrar num caiaque num inverno com frio, chuva e vento…

FL – Todos escolhemos fazer canoagem no verão. A quantidade de vezes que temos de cair à agua para aprender a equilibrarmo-nos num barco de competição não são poucas. É mesmo preciso muito tempo. Se não for no verão com a água mais quente tudo fica mais difícil. Lembro-me de alguns dias que não queria treinar. Lembro-me um domingo, devia ter 7 anos, em que não queria treinar, mas o meu pai obrigou-me. Entrei no barco e virei logo. Estávamos em janeiro. Saí logo da água e fui para casa tomar um banho quente. A água do Tejo no inverno está gelada! Claro que é difícil, mas é um dos grandes sacrifícios que nós atletas temos de fazer, não só em criança como agora. São esses dias que nos fazem ser melhores no futuro. Tudo vale a pena quando as coisas nos correm bem.

+ Como é que separam a relação pai/filha da relação treinador/atleta?

FL – Não é nada fácil. Ainda hoje temos algumas discussões saudáveis porque continuamos a treinar juntos. Ainda há picardias [risos]. Ele foi meu treinador e há aquela questão de não poder tratar-me melhor do que os outros. Mas sempre tivemos uma relação saudável. Claro que ele de vez em quando dizia que eu tratava melhor os outros do que a ele, mas faz parte. No futuro vou querer fazer o mesmo com os meus filhos. O meu pai esteve presente em todos bons e maus momentos. Ele tem uma compreensão muito grande da canoagem. Ainda hoje partilho com ele momentos bonitos. Ele tem quase 60 anos, eu tenho quase 30 [tem 27] e continuamos a treinar juntos.

+ Ainda recorda da primeira vez que lhe ganhou nos 100 metros?

FL – Em K2 confesso que continua a ser difícil! Ele gosta porque é pai e vê que a filha conseguir evoluir, mas fere-lhe um bocadinho o ego [risos].

Por Rafael Godinho
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