Francisca Laia: «Família é como um poste enterrado no fundo da terra»

Canoísta portuguesa em entrevista a Record

• Foto: Direitos Reservados

RECORD - Qual a importância da família nesta aventura?

FL – Os nossos pais são aquele poste bem enterrado no fundo da terra. Pode vir uma tempestade que ele nunca abana. São as pessoas que sabem dos nossos sacrifícios e no momento da prova no final do dia eles vão lá estar para nos abraçar da mesma maneira, independentemente do resultado. Costumo dizer que o meu pai é mais importante nas vitórias, mas a minha mãe é mais importante nas derrotas. Ele tem aquele espírito competitivo, enquanto a mãe é mais terra a terra. Funcionam um bocadinho com o Yin e o Yang e acabam por equilibrar as coisas. São as pessoas mais importantes na minha carreira. A palavra família define tudo.

+ Nunca pensou em ser treinadora?

FL – É uma pergunta que me fazem com frequência. Em princípio não porque quero muito exercer a medicina, o que me vai ocupar muito tempo. Mas vejo-me a exercer medicina desportiva.

+ Quando é que percebeu que tinha mesmo jeito para a canoagem?

FL – A primeira prova que fiz foi regional e ganhei. As adversárias achavam-me tão pequena que pensavam que eu não podia ser da classe delas. Era muito pequena, cresci muito tarde e andei aqui uns anos só a divertir-me. Mas é isso que se deve fazer quando se está a aprender. A primeira vez que percebi que podia ter um futuro risonho na canoagem foi em 2011, quando ganhei a medalha de bronze no K1 200 metros. É a primeira prova internacional e não sabia de nada. Estamos habituados a treinar aqui e vamos naquela de nos divertir, com um bom espírito de equipa, mas não sabemos o que pode vir de lá. Depois dessa medalha comecei a pensar: ‘ok, se calhar posso fazer mais disto do que eu própria acho’. Comecei a partir daí a treinar muito mais e a delinear objetivos.

+ Qual o melhor e o pior momento até agora na carreira?

FL – O melhor foi o dia em que me apurei para os Jogos de 2016. O pior foi quando não me apurei para estes Jogos, sobretudo no K4. Achava mesmo que tinha qualidade para estar lá.

+ A Francisca vai regressar à medicina. Que especialidade tenciona seguir?

FL – Tenho um leque muito vasto, mas todos sabemos que é a nota do exame que vai definir esse caminho. Tenho preferência por oftalmologia, ginecologia e obstetrícia. Ainda não tenho uma opção bem definida.

+ Quando pensa no futuro imagina-se de bata e estetoscópio?

FL – Quando penso no futuro, imagino-me a ser médica. Entrei para a medicina porque podia, mas com 18 anos não sabia bem o que queria. Muitos ainda não sabem o que querem fazer com esta idade. Parece mal dizer isto porque há muita gente que quer muito entrar e não consegue. Vejo-me a ser médica e a ajudar as pessoas numa especialidade que me deixe realizada.

Por Rafael Godinho
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