Gabriel Mendes: «Melhor momento da minha carreira»

Aos 40 anos, o selecionador nacional de ciclismo de pista está prestes a concretizar o sonho de qualificar Portugal para os Jogos Olímpicos e logo com uma atleta treinada por si: Maria Martins

• Foto: Federação Portuguesa de Ciclismo

Record – O ciclismo português está prestes a fazer história com o mais do que provável apuramento de Maria Martins para os Jogos Olímpicos. O que significa isso para o treinador?

Gabriel Mendes – Ainda temos o Campeonato do Mundo, mas no ponto de vista das contas do ranking, Portugal, por via da Maria, está praticamente qualificado para os Jogos Olímpicos. Isto é um momento histórico e muito importante para mim como treinador, o melhor momento de toda a minha carreira. É um orgulho muito grande estar a fazer este percurso com a Maria e ter esta oportunidade enormíssima de fazer história.

R – Defina o trabalho do treinador neste período de qualificação.

GM – O nosso trabalho baseia-se na planificação, prescrição e controlo do processo de treino. No fundo, o trabalho que tenho é este, mas não sendo especialistas em tudo, temos muita gente à nossa volta para nos ajudar. Psicologia, nutrição e outras áreas também são muito importantes e tentamos integrá-los ao máximo na vida dos atletas. Em cima de tudo isto está o treinador, que tem um papel de liderança muito importante.

R – Qual o momento mais difícil?

GM - Como técnicos, temos de estar preparados para esses momentos mais exigentes, nos quais a pressão é maior, temos de ser os primeiros a reagir. Tivemos alguns momentos desses neste ciclo. Por exemplo, a Maria entrou neste processo de qualificação e Portugal, dado o ranking, não tinha entrada direta para as Taças do Mundo e tivemos a oportunidade de fazer duas na época passada porque duas seleções que tinham a quota não participaram. Esses eram momentos em que a equipa tinha de ser bem-sucedida e isso aconteceu. Os atletas e eu conseguimos superar esses momentos. Mas tivemos outros momentos, o Ivo Oliveira teve uma queda grave que o deixou de fora durante muito tempo e nós tivemos de nos afastar, mas recentemente tivemos a situação do Iuri em Hong Kong e, por fim, em Berlim, nova queda, desta vez do Rui Oliveira, que também nos afeta muito. Tudo isto faz com que nós tenhamos de ir ainda mais aos limites da nossa capacidade de resposta.

R – Essa lesão do Rui Oliveira em Bremen foi um rude golpe…

GM – Sim, o Rui era um atleta que vinha num processo de preparação consolidado e não o ter disponível para os Mundiais é muito mau para nós. Temos mais atletas preparados, mas não contar com ele é uma perda muito grande.

R – Onde nasceu a paixão pelo ciclismo? E pela pista?

GM – Surge logo na minha infância, cresci com bicicletas em casa. O meu pai foi praticante quando era jovem e isso influencia. Na minha adolescência fiz ciclismo até à categoria de sub-23, mas depois segui a formação académica no âmbito das ciências do desporto. Portanto sempre estive ligado ao ciclismo e ao desporto. Esta minha atividade de treinador surge no seguimento de tudo isto. Já a pista surge no momento em que a federação abriu um concurso de um curso para iniciar o processo de trabalho na pista. Eu fui o escolhido e, desde que comecei, em 2010, tem sido muito enriquecedor.

R – O ciclismo de pista em 2010 não deve ter nada a ver com o de 2020...

GM – Mesmo nada!

R – Vem aí o Campeonato do Mundo, como tem sentido os corredores?

GM – Têm respondido muito bem. Temos estado sob pressão e os atletas têm estado à altura. No Canadá, conseguimos um resultado de muito bom nível, por exemplo. Os atletas estão a preparar-se bem, sabem a nossa realidade, mas não tremem. Vamos fazer o nosso trabalho para chegarmos ao nosso objetivo, que são os Jogos Olímpicos.

R – E quão longe está esse objetivo?

GM – A tarefa para os masculinos, muito devido aos vários contratempos, está mais difícil. Não está impossível, mas está mais exigente, porque temos de ter um desempenho de excelência, com uma qualificação não inferior ao 6º lugar, mas também dependemos da distância que consigamos criar para as seleções com quem estamos a lutar por esses lugares. A tarefa é recuperar esses pontos no ranking e para o conseguir precisamos de estar muito bem no Mundial e o os nossos adversários terem uma prova menos boa. Não é fácil, mas não é impossível. Apenas temos de fazer o nosso melhor.  

Por Pedro Filipe Pinto
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