Ivo Quendera: «Em termos de conhecimento estamos no topo do Mundo»

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• Foto: Bruno Teixeira Pires

Ainda há muito por fazer e para melhorar. Ainda assim, o desporto adaptado começa a merecer a atenção da sociedade e há motivos para se acreditar no futuro. Quem o diz é o selecionador nacional de paracanoagem, Ivo Quendera. "Historicamente, e analisando o número de atletas portugueses a participar nos grandes eventos, Portugal não tem grande expressão no desporto adaptado. Mas se olharmos para os resultados, aí já posso dizer que estamos entre o top 10 e o top 15 mundial", analisou, apontando, depois, áreas em que o reconhecimento internacional não deixa dúvidas sobre a qualidade do que se vai fazendo por cá. "A nível técnico e de conhecimento científico somos muito bem vistos e estamos no topo do Mundo", atirou.

Mas, e apesar da maior aposta no desporto adaptado, há também muito por fazer. "Não é apenas uma questão financeira. A inclusão é um processo difícil, que não requer apenas recursos financeiros, materiais ou humanos. É necessário uma modificação de mentalidade das pessoas que estão no terreno. Temos de perceber que se queremos incluir as pessoas com deficiência, então não podemos esperar que sejam apenas atletas. É preciso que as condições estejam criadas para que possam ser treinadores, coordenadores ou dirigentes. Já disse ao Norberto para vir para o meu lugar, mas ele diz que não aceita… só mesmo se for para adjunto [risos]."

Também Floriano elogia o caminho traçado, ainda que feito tarde demais. "O trabalho tem vindo a ser feito, estamos é atrasados em relação a outros países. Não podemos pensar apenas nisto como algo para entreter. A verdade é que a paracanoagem mundial está fortíssima e nós temos de pensar na alta competição", defende.

O trabalho silencioso do TAD

Acompanhar em cada segundo o trabalho desenvolvido pelo seu atleta: esta é a difícil missão do TAD. Quem? Nós explicamos, com a ajuda preciosa de Dulce São José, a TAD de Floriano Jesus. "Sou Técnica de Assistente Desportiva desde que o Floriano entrou no projeto paralímpico e já era treinadora dele antes. Foi comigo que ele iniciou a canoagem", constata, não desviando, porém, o olhar sobre o que ia acontecendo junto da embarcação de Floriano. "O essencial é o trabalho diário que fazemos, aliado ao descanso e à vontade dele em melhorar. Toda a equipa trabalha para que os resultados apareçam", defendeu. Segundo Dulce, o mais difícil é gerir as emoções… boas e más. "Quando ele entrou no projeto paralímpico foi muito emocionante, não posso esconder. Mas também é verdade que há momentos maus. Eu tenho bom perder e reajo bem, mas com ele já não é bem assim e lidar com a frustração é o maior problema que enfrento [risos]".

Inclusão é a palavra-chave

Em todas as opiniões sobre a Canoagem parece estar o termo inclusão. De facto, desde o técnico Ivo Quendera aos atletas Norberto e Floriano, passando também por Dulce São José, todos fazem questão de afirmar que poucos desportos tratam tão bem todos os atletas, sem discriminações. "A modalidade tem uma visão totalmente inclusiva. As classes adaptadas estão integradas nas restantes provas, convivem uns com os outros, viajam juntos, partilham hotel, com os mesmos horários e rotinas. Isto é algo que a modalidade mostra a outras", afirma Ivo, opinião partilhada pela restante equipa nacional.

Por Ricardo Chambel
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