João Monteiro: «A relação que temos reflete-se na mesa»

Mesatenistas portugueses abordam como a amizade afeta o desempenho em competição

• Foto: IPP / ITTF

RECORD - De há muitos anos para cá que vocês os três fazem praticamente tudo juntos, por isso de certeza que têm muitas histórias para contar...

MF – Temos muitas, mas a maior parte delas não podemos contar. Mas por acaso tenho uma sobre o João, porque ele é muito esquecido. Esquece-se da carteira, do telemóvel, das chaves… de tudo, e houve uma vez, em 2004 ou 2005, quando jogávamos no São Roque, que tínhamos voo para o continente e saímos todos juntos do clube. Já tínhamos vinte e tal minutos de carro e ele apercebeu-se de que se tinha esquecido da carteira. Já estávamos quase lá e tivemos de voltar. Ele lá pegou na carteira e regressámos para o aeroporto, mas novamente, ele viu que não tinha o bilhete de identidade. Lá fomos nós outra vez, pegou no BI e fomos mesmo a tempo de fazer o check-in. Isto foi há 15 anos, mas continua a acontecer hoje em dia.

+ E o João, lembra-se de alguma?

JM – Como o Marcos disse, a memórias às vezes falha.

+ E o Tiago?

TP – Se o Marcos contou uma sobre o João, eu conto uma sobre o Marcos. Isto nem é uma história, é mais uma sequência de histórias, porque quando jogamos bowling, snooker, qualquer coisa, eu ganho-lhe sempre, ou quase sempre, e ele, com o mau perder que tem, nunca admite que perde. Quando nos encontramos na vez seguinte e falamos sobre a última vez que jogamos... ele nunca admite que perdeu, principalmente quando estão outros colegas a ouvir. É sempre uma situação engraçada.

+ Lembram-se da primeira vez que jogaram uns contra os outros?

MF – Lembro-me mais ou menos do João, porque ele era quase um exemplo. Com os meus 9 anos comecei a ir a regionais e nacionais e comecei a conhecê-lo, mas não falávamos. Eu sabia quem ele era, mas ele provavelmente não sabia quem eu era, porque eu era apenas um puto que estava a começar a jogar. Quando começámos a jogar um contra o outro, ele já era o melhor jogador nacional, daí eu olhar para ele de outra forma, com um grande respeito.

+ Mas esta relação que têm há tantos anos acaba por transparecer na mesa...

JM – Sim, claro! Damo-nos todos muito bem e esse é também um dos nossos pontos fortes. A nossa relação reflete-se na mesa.

+ Vocês já trabalham muito com jogadores mais jovens. Consideram que o futuro do ténis de mesa português está assegurado?

TA – A nossa geração ainda está aí para as curvas, mas sim, temos uma geração a aparecer com jogadores como o Diogo Chen, Diogo Carvalho ou o João Geraldo que têm muito talento. São jogadores com muito valor, jovens, mas que já fazem parte da Seleção. Espero que consigam fazer um bom percurso, mas têm de continuar a trabalhar muito, porque chegar ao topo não é nada fácil.

+ Sei que o Marcos gostava de seguir Medicina...

MF – Sim, era um objetivo que tinha desde muito novo. Inicialmente queria estudar, ir para a universidade seguir Medicina, mas com as saídas para o estrangeiro tinha de faltar a muitas aulas, acabei por ter notas baixas e a perder um pouco de interesse. Foquei-me totalmente no ténis de mesa e acabei por me safar bem.

+ Se não praticasse esta modalidade, seria atleta?

MF - Não, até porque não me interesso por outro desporto. Não vejo futebol, por exemplo.

Por Pedro Filipe Pinto
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